
Existe um momento na vida de todas as pessoas em que se atinge um nível e fica praticamente desnecessário qualquer tipo de esforço para sair daquela situação de comodidade. Ronaldinho e Kaká já estão neste nível. Provaram, porém, que a acomodação depende somente de si e de mais ninguém, oras.
O primeiro já foi duas vezes eleito melhor do Mundo, tem uma habilidade impressionante, e já foi comparado ao nível de Maradona. O segundo tem uma das melhores visões de jogo do cenário Mundial, passes extremamente precisos e será eleito o melhor jogador desta temporada no fim do ano. Infelizmente os dois também têm - ou tinham - outro ponto em comum: não conseguem repetir os bons desempenhos de seus clubes pela Seleção. O pseudo-desprezo pela camisa amarela agravou isto na cabeça dos mais imediatistas.
O pedido de férias acabou quebrando o encanto que os brasileiros tinham com eles. Colocavam-os em pedestais e veneravam como deuses. A coisa não é bem assim, mas será que eles não estavam corretos? Do ponto de vista ético talvez não, mas do ponto de vista da vida pessoal deles, corretíssimos.
Barcelona e Milan disputaram temporadas duríssimas nos últimos anos e os dois não haviam conseguido tirar férias - em 2005 a Copa das Confederações e 2006 a Copa do Mundo - prejudicando sensivelmente seus desempenhos. Pode-se dizer que eles desprezaram a camisa da Seleção por um momento, mas digamos, um motivo plausível estava em pauta.
Ontem, Kaká e Ronaldinho, mostraram todos os adjetivos que à eles atribui acima e além disso comprovaram que não podem sair desta Seleção. Com eles o jogo fluiu mais facilmente e o esquema tático de Dunga parece enfim ter achado uma solução para tanta ofensividade. Colocá-los para jogar como meias foi uma das melhores opções que poderia se imaginar e somente antes testada em jogos de videogame.
Agora, porque o título desta coluna foi "Trinca de Ouro"? Justamente porque o terceiro elemento contraria todas as afirmações aqui feitas.
Robinho tem um desempenho na equipe brasileira muito superior ao que tem no Real Madrid. Se mexe, corre, pedala, dá passes magníficos, ajeita o time e dita o ritmo, enquanto em Chamartín não passa de meia-de ligação / segundo-atacante. Ao contrário de seus dois companheiros de ataque, Robinho precisa da Seleção e por isso venha se esforçando cada vez mais.
Esta trinca poderá dar muito o que falar, e os dois últimos jogos contra México e Estados Unidos mostram isso, porém, não poderá subir a cabeça a febre de Copa do Mundo, em que pensamos ter o melhor ataque de todos os tempos e não passamos de um time desorganizado.
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Trinca de Ouro
Postado por
João Lucas Garcia
às
08:05
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