
As eliminatórias para a Copa de 2010 voltaram e só se fala em uma coisa: Dunga cai ou não cai caso não consiga bons resultados perante Chile, hoje, e Bolívia na quarta-feira. Mas não é só isso que chama atenção nas eliminatórias sul-americanas. A forma expressiva com que o Paraguai vem enfrentando seus adversários impressiona e começa até a assustar os que também pretendem uma vaga na África do Sul.
Gerardo Martino é o grande responsável dessa mudança de postura repentina e agradável dos paraguaios. O treinador argentino quando chegou deu a seguinte declaração: 'Quero tornar o Paraguai a terceira potência futebolística sul-americana.' E, aos poucos, vem conseguindo. Os resultados são expressivos e incontestáveis. As vitórias clamorosas sobre Brasil e Chile colocaram a seleção Albiroja na ponta da classificação, à frente de argentinos e brasileiros. A confirmação da boa fase e da competência paraguai vieram ontem.
Enfrentando uma Argentina infinitamente superior dentro de um Monumental de Nuñez completamente abarrotado, os paraguaios seguraram o empate até os últimos minutos com uma atuação de gala de sua defesa. Mesmo ficando com um jogador à mais todo o tempo os paraguaios souberam prender a bola e impedir uma ofensiva dos Albicelestes que sem Tevez desde o primeiro tempo não fizeram grande exibição. Ponto positivo apenas para Aguero, autor do gol que salvou a Argentina de uma derrota em casa.
O time é coeso em campo e defesa, meio-campo e ataque se comunicam com muita fluidez. Se Haedo Valdez e Cardozo nunca foram na seleção os jogadores que eram nos clubes esta história esta mudando sob o comando de Martino. Ambos fazem uma bela dupla de ataque e, quando preciso, Cabañas também resolve. O meio-campo não é dos mais criativos mas se destaca pela paciência e união. Todos atacam e todos defendem. A defesa, porém, parece ser um ponto inquestionável de equilíbrio dos paraguaios. Contando com dois laterais - Morel e Vera - que sabem apoiar e defender com a mesma perfeição e uma zaga consistente e de raríssimos erros os paraguaios caminham a passos largos para a Copa do Mundo de 2010 com um objeitov: conseguir se consolidar e fazer um trabalho de renovação à longo prazo.
domingo, 7 de setembro de 2008
Puro-Sangue Paraguaio
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João Lucas Garcia
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segunda-feira, 7 de julho de 2008
Testemunhal de Um Brasileiro

Este texto não é uma análise calculista do que aconteceu ontem em Silverstone na Inglaterra. E nem me permitiria dizer isso já que apenas amo Fórmula 1, mas não posso dizer que conheço à fundo. Mas era necessário que fizesse um comentário aqui sobre a corrida, mas especificamente sobre Barrichello.
Sábados e domingos de F1 para mim sempre foram sagrados. Mesmo eu nunca ter visto uma só corrida de Ayrton Senna, nem Nelson Piquet e muito menos Emerson Fittipaldi. Cresci vendo Schumacher e Hakkinen degladiando por vitórias, pódios e títulos. Normalmente o finlandês vencia e Schumacher, o maior de todos os tempos, não conseguia dar fim ao jejum que assolava a Ferrari. Mas gostava mesmo, além das batalhas no fim dos anos 90 entre o ferrarista e o piloto da McLaren, era de ver Rubinho guiando a Stewart. Ao lado de Johnny Herbert, outro daqueles gênios escondidos e que não serão muito lembrados, Barrichello fazia mágica com um carro limitadíssimo e conquistava pódios esporádicos em um tempo que vivia à sombra de Senna. Nunca esquecerei o GP de Magny-Cours quando chegou na terceira colocação e, com a mesma Stewart, devolveu uma ultrapassagem das mais antológicas que Michael Schumacher sofreu em toda sua carreira. http://www.youtube.com/watch?v=vLR8L_QEPrk
Até que surgiu a grande chance.
A Ferrari contratava um prodígio Rubens que era a grande esperança de um Brasil sem ídolos no automobilismo. O futuro parecia brilhante já que na melhor equipe da Fórmula 1 com o melhor carro os títulos poderiam voltar ao país e o hino brasileiro seria executado nas manhãs dominicais. Mas no meio do caminho havia aquele Schumacher. O que levou a Ferrari a um pentacampeonato e dominou por completo o início dos anos 2000, frustrando os planos brasileiros de voltar ao topo da cadeia da velocidade mundial. Rubens se desentendeu, sofreu, deu passagem ao alemão em um dos episódios mais vergonhosos da história da F1 no circuito de A1 Ring na Áustria. Até que ele se livrou do estigma de segundo piloto, estepe, reserva de luxo ferrarista indo terminar de forma melancólica e doída numa Honda descrente. Passou seus primeiros anos na scuderia japonesa penando a fazer pontos, pensou largar a F1 e teve de se acostumar de vez com as críticas dos desocupados de plantão.
Ontem, porém, ele deu mais uma das provas de que é um dos melhores pilotos, ainda, em atividade na Fórmula 1. Competente, agressivo mas sem perder a cabeça, estrategista. Rubens dominou por completo uma corrida que não tinha nada para ser das melhores de sua extensa carreira como piloto. Lembrou a sua primeira vitória de F1, no circuito de Hockenheimring. A mesma chuva pesada caía, o mesmo estrategista no banco de sua equipe estava e, mais uma vez em sua vida, Barrichello pôde ser definido por uma palavra: genial. Guiou sua capenga Honda como se estivesse dirigindo a Ferrari nos bons tempos ou a Stewart em que ele fazia os mesmo milagres que ontem fez com sua Honda. Ultrapassou, por dentro e por fora, acertou na estratégia, não errou durante toda prova, basicamente, deu show. Levou com maestria um carro péssimo a um pódio nunca antes sequer sonhado e voltou a sorrir como das primeiras vezes, sentindo-se um moleque no meio de um orgulhoso Hamilton e um feliz Heidfeld.
Reconhecimento que não vem pela imprensa brasileira em geral. Reconhecimento que demora a surgir por aqueles que mais deveriam reconhecê-lo. Rubens é daqueles tipos que faz de sua profissão sua vida e isto é perceptível até aos mais desatentos. Há anos Rubinho não guia em, condições de conseguir vitórias ou de brigar pelo título, mas continua lá, brigando contra os humoristas e os engraçadões. Ele mereceu este terceiro lugar, merece toda aquela emoção a ele dedicada quando chega á um pódio ou mesmo quando vencia corridas. Baricchello me faz gostar de ver Fórmula 1 e me passa muito mais emoção do que qualquer outro piloto. Não que não goste de Felipe Massa, mas ele não é um herói e nunca será um para mim. Rubinho sim, mesmo nunca vencido um campeonato, mesmo sendo uma sombra de dois gênios por toda sua carreira. Ele mostra um espírito de equipe e companheirismo que me fazem acreditar e sonhar que para ser um grande homem não precisa ser, literalmente, um campeão.
Rubens Barrichello é o melhor daqueles que nunca puderam mostrar que são os melhores e continuará sendo um dos motivos de acordar cedo nos meus fins de semana só para torcer para chegar aos pontos, brigar por uma oitava posição ou coisa do gênero. Pois a emoção e a vivacidade deste senhor são tão ricas quanto a de um garoto. Ele não precisa provar mais nada à ninguém. Depois de ontem, pode se aposentar sossegado Rubens, você entra no hall dos melhores pilotos que este país já teve.
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João Lucas Garcia
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Perder Pode Ser Bom
Desta vez o Brasil x Argentina terá um significado muito maior do que um simples jogo de futebol que envolve inúmeras rivalidades, história e, segundo alguns dos maiores entendidos do assunto, o maior clássico entre nações de todo o mundo. O jogo de hoje, dentro do Mineirão o berço da Seleção Nacional contra os hermanos nos últimos anos, mostrará como estão sendo feitas as renovações nas duas seleções.
O ataque argentino tem a juventude no seu ponto forte com Messi, Aguero e um não convocado mas convocável Tevez. O Brasil, ao contrário, não consegue bons talentos do meio pra frente, pelo menos na visão de Dunga que convoca insistentemente Josué e Mineiro além de um desgastado e saturado Gilberto Silva. A renovação no Brasil, neste time de Dunga não se dá em lugar nenhum, mas poderia (e deveria) ocorrer na zaga e no meio de campo. Imagine um meio com Hernanes, Lucas, Anderson e Kaká !
Hoje passará por cima de ideologias e de muitas coisas batidas como a milonga ou a rivalidade. O encontro tem uma força muito maior. Basile já não é o mesmo de tempos atrás mas promove na Albiceleste uma renovação que passa por vários pontos do campo memso ainda tendo em seu time titular Riquelme, Verón e Julio Cruz. Dunga, nada faz e nada parece querer fazer. Estamos à deriva em um ano Olímpico.
Talvez a sorte de Dunga seja a fraqueza dos argentinos quando se encontram conosco. Mas se não fraquejarem a situação piorará, só assim, então, abrirão os olhos para o buraco que estamos nos enfiando - ou melhor, estão nos enfiando.
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João Lucas Garcia
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
Saindo do Inferno

Depois dos 3x1 contra o Goiás em uma exibição pífia dentro do Serra Dourada o Corinthians já era dado como morto na Copa do Brasil. A síndrome de Paulo Baier abatera o Timão, a equipe foi ridiculamente derrotada e seu destino era esperar o início da Série B para poder sonhar com algo dentro da temporada que se arrastava de forma esperada mas melancólica para o torcedor corinthiano. A eliminação no Paulistão só carimbava o estigma e as provocações das torcidas adversárias de que o Corinthians só disputaria a Segunda Divisão e olhe lá, nada muito mais do que isso. Pois bem, erraram.
O que se viu depois da derrota para o Noroeste que tirou o Timão da disputa nas semifinais foi uma semana e meia de treinos intensivos e uma vitória que não havia sido vista ainda sobre o comando de Mano Menezes. Um 4x1 acachapante em que o Alvinegro liquidou o Goiás em menos de 30 minutos de jogo. A torcida começou a dar show aí e depois deste resultado a aura dentro do Parque São Jorge mudou. Veio a vitória, sofrida mas merecida contra o sempre temido São Caetano dentro do Morumbi por 2x1 e novo resultado positivo na estréia da Série B contra o esforçado - mas apenas esforçado - time do CRB com quase 35 mil pessoas na reabertura do Pacembu.
Estas semanas de alegria continuam até agora e com mais um capítulo ontem após outra boa vitória frente ao São Caetano em Ribeirão Preto. 22 mil alvinegros na arquibancada e até Acosta fazendo gol. A situação que no começo do ano era alarmante neste momento parece ter virado em favor do Corinthians.
As incógnitas Chicão e André Santos se tornaram dois dos principais jogadores do elenco corinthiano. Herrera não é nenhum Tevez mas vem sendo extremamente efetivo em sua função. Marca quando necessário, passa quando necessário e dá tudo de si à todo tempo. Até Lulinha e Dentinho parecem estar um pouco mais amadurecidos do que eram no ano anterior e rendem muito mais com destaque ao primeiro, que enfim enfileirou uma sequência de bons jogos. Problemas ainda existem, claro. A defesa, apesar de boa, continua falhando de tempos em tempos. Felipe não é mais o mesmo do ano passado mas ainda passa grande segurança e Acosta, Fabinho e Douglas não emplacaram completamente mas há uma clara evolução do que se via no início do ano.
Sendo extremamente realista, existe muito ainda para se caminhar, tanto na Série B quanto na Copa do Brasil, mas o Corinthians pode sonhar em conquistar títulos em um ano que
tinha tudo para ser um mero purgatório.
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João Lucas Garcia
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sábado, 26 de abril de 2008
A Hora É Agora
O Chelsea vem empolgado pelo jogo do meio de semana na Champions League. Freguês histórico do Liverpool quando tratamos de competições européias, os Blues conseguiram um empate em 1x1 dentro de Anfield Road no último minuto de jogo, mesmo com Ballack e Lampard em noite apagadíssima, e agora jogaram por uma vitória simples ou por um empate sem gols em casa na próxima semana. Um ânimo a mais para um time que tende a abaixar a cabeça em momento
s complicados e que sempre sofreu com a falta de uma estrutura psicológica, principalmente na gestão de José Mourinho no comando.
Do outro lado vem o United que também empatou fora de casa, mas em circunstâncias muito diferentes. Cristiano Ronaldo perdeu pênalti, a equipe não jogou bem e no último fim de semana já haviam empatado com o Blackburn com um gol no último minuto de Tevez.
A situação, graças ao gol do argentino, se manteve em três pontos de diferença e como os Devils tem um saldo muito superior ao Chelsea (54 contra 36) mesmo que perca hoje não será ultrapassado e dependerá apenas de suas próprias pernas para ser campeão da Premiership. O que Ferguson precisa fazer agora é manter a cabeça do time dentro de campo.
Muito foi questionado se o Manchester teria condições de chegar e vencer tudo que disputassem. A dúvida estava se conseguiriam com um trio de ataque extremamente jovem
manter a mesma regularidade que se tivessem jogadores de maior experiência. Neste caso, a juventude foi soberana. Ronaldo, Rooney e Tevez vem fazendo uma temporada irretocável. São de forma absoluta o melhor trio de atacantes de toda a Europa e não sentiram o peso da camisa durante toda esta temporada, pelo menos até aqui. CR não costuma perder pênaltis e na quarta-feira errou sobre uma situação de extrema pressão. A equipe do Manchester foi estática frente ao Barcelona e não consgeuia criar absolutamente nada. Este é o medo, uma amarelada completa na fase final das duas competições.
O Chelsea fez uma temporada sobre olhares desconfiados de todo o mundo. Avram Grant nunca foi o nome mais esperado para dirigir o time de Stanford Bridge e após um início pífio, em que ocorreu até a fatídica derrota para o Rosenborg dentro de casa, o Chelsea se recuperou e isto tem muito a ver com três jogadores: Essien, Drogba e Ballack. O primeiro é, de longe, o pilar de sustentação deste time. Foi ele quem fez o gol que eliminou o Schalke 04 na Champions League e é sempre ele que está marcando forte na defesa. É um jogador multi-funcional e que se encaixa em qualquer lugar na equipe titular. Drogba nunca foi admitido com um grande atacante pois é forte, grande e habilidade não é uma de suas características principais, mas o seu poder de fogo anula todos e quaisquer defeitos que o marfinense possa ter. Nesta temporada, porém, o que se destacou foi sua capacidade de, além de fazer gols, ser um grande garçom. Deu passes para o time inteiro e mesmo ficando um bom tempo machucado teve contribuição imensurável para a recuperação do Chelsea na UCL e na Premier League. O caso mais curioso, entretanto, é o de Ballack.
O alemão veio com a promessa de ser um companheiro à altura para Lampard ou até mais, colocar o inglês no banco. Não conseguiu nem um nem outro no começo das ligas. Escondia-se, tinha inúmeros problemas com contusões e ficava a deriva de uma grande atuação do time para ele poder ir no embalo. De uns tempos para cá, com a mudança de esquema tático que o aproximou muito mais do ataque, o obrigando a ser quase um terceiro atacante e não mais um meio central, melhorou muito seu rendimento e enfim ele pôde jogar o futebol esperado. Imagine se Shevchenko tivesse encaixado nesta equipe ...
Uma vitória do Chelsea não surpreenderia, já que o jogo é em Stanford Bridge, mas uma vitória Blue podeia trazer estragos gigantescos dentro de Old Trafford. Faltando apenas 3 rodadas para o fim do campeonato, o momento é de decisão, e parece que a capacidade técnica parece não contar tanto quanto a capacidade de gerir a pressão que será imposta à ambos, mas que o Manchester Utd sofrerá mais.
Foto: Skysports
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João Lucas Garcia
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