quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Simples


A incompreensível ciência do futebol se revelou cada vez mais difícil de se entender neste domingo dia 2 de Setembro. A insóbria incerteza de não saber o resultado mesmo sabendo do favoritismo me mostrava que o Santos venceria. Não venceu.

Magnânimo treinador, rei dos "nós táticos" e dos jogadores desconhecidos para transformá-los em ídolos, Luxeburgo simplesmente foi arrasado, talvez não da forma mais bonita e
vistosa aos olhos de quem acompanhou a partida, mas com a simplicidade mostrada em cada lance puro de superação que o Zé ninguém do Zé Augusto mostrou-lhe. Luxa foi superado em tarde que Nílton foi épico.

A responsabilidade que o terrão corinthiano tem na história do clube, mais uma vez, representou a oportunidade inabalável nas costas de um garoto que até pouco tempo nem contava na lista dos selecionáveis. Na sua primeira titularidade no campeonato, Nílton fez um gol contra e um favor, quando já tinha sido sublime a vitória sobre o fortíssimo Botafogo dentro do Marcanã, porém, contra o Santos, Nílton foi mais.

Raça, brio e determinação são vocábulos que já foram inscritas no dicionário da torcida, dos jogadores e de toda a história do Sport Club Corinthians Paulista, mesmo que elas não estejam acompanhadas de técnica, futebol-arte e beleza, são extremamente valorizadas e isto foi o que o jovem Nílton mostrou, desprendendo-se da idéia de que o jogar bonito é o ideal. Combateu, marcou, infernizou a vida de Petkovic e Pedrinho, e como premiação balançou, melhor, estufou as redes de um estático Fábio Costa. A finalização perfeita da noite para o garoto foram os três dribles em sequência e a expulsão de Adaílton quando o derrubou.

O boliviano desaprovado por Carpegianni, mas que mostra mesmo sendo estrangeiro e pouco conhecendo os costumes da camisa alvinegra incorporar muito bem o espírito de toda a condição Corinthiana. Corre, briga, chuta, dribla, e sem nenhuma técnica, faz, o que deveriam ter deixado-o fazer. Finazzi se revelou um excelente passador e Vampeta prova que idade não atrapalha, muito pelo contrário, auxilía.

A configuração de que Felipe se tornará ídolo - se já não é - em pouquíssimo tempo foi comprovada neste mesmo clássico que, apesar de pouca classe, teve muito do que o corinthiano ama: disposição pelo objetivo comum, vencer. O goleiro fez milagres, jogou com a torcida, caiu e desprezou todo o alarde feito para cima do ótimo Kléber Pereira, impedindo-o de marcar mais gols para sua conta pessoal. As defesas feitas por Felipe são comparáveis as que Ronaldo fazia em seus tempos áureos ou que Dida, que tem trajetória parecida com seu conterrâneo baiano, protagonizava em seus tempos de Corinthians.

O Santos não foi de todo ruim. Correu, tentou, mas por mero acaso, ou ajuda de São Jorge que gostaria de comemorar os 97 anos da instituição que abençoa, não permitiram que o time da Vila vencesse.

Certamente o Corinthians ainda vencerá algumas partidas neste brasileirão como perderá outras de forma ridícula, e isto está longe de ser um enaltecimento agudo por uma vitória inesperada já que por mais que ela aconteceu sem que ninguém nela pensasse, aconteceu, mas mostra que quanto mais tentamos entendê-lo (o futebol), menos conseguimos.

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