
A profissão de treinador de futebol impõe algumas condições ingratas aos seus profissionais e algumas delas são a pressão por resultados, a escolha de jogadores queridos pela torcida e, em alguns casos, a subordinação imposta por seus superiores, os dirigentes. A situação em que certos treinadores se colocam é curiosa e o exemplo e crítica aqui citados vão diretamente ao que hoje comanda a maior Seleção de futebol do mundo - a brasileira obviamente - e a qual ele já representou vestindo a camisa e dando, com pouquíssima técnica, mas extrema raça. Estamos falando de Dunga e da estranha forma como ele vêm convocando.
Em primeiro lugar não é correto questionar certos dogmas e (pré) conceitos que alguém tem a certos jogadores, mas nem tudo é justificável. Comecemos pelo discutível indo até o imponderável.
Doni e Júlio César são merecedores de vaga nesta Seleção? Do ponto de vista do treinador sim, mas analisando dados e fatos, não. Júlio César é bom goleiro mas inconstante e além de tudo volta de contusão, na Internazionale só tem titularidade absoluta assegurada porque, digamos, que Toldo apesar de experiente não é dos mais confiáveis. Teve participação brilhante na Copa América de 2004 quando o Brasil passou pela Argentina com atuação ótima do goleiro durante o torneio, mas desde então a irregularidade vem acompanhando o ex-jogador do Flamengo. Já Doni é daqueles casos inacreditáveis de chegada a Seleção e que levantam as suspeitas de estar lá por obra de algum empresário miraculoso. Não é de todo ruim, mas um goleiro que não conseguiu se firmar nem no medícore time do Juventude e hoje, não se sabe como, defende o gol da Roma. O goleiro, assim como seu companheiro de Seleção, também foi bem na Copa América e sempre será lembrado pela defesa no pênalti cobrado por Lugano na semifinal contra o Uruguai. Mas se Rogério Ceni, Diego do Palmeiras e Diego ex-Atletico-Mg, agora no Almería, Bruno do Flamengo e Gomes, além do já 'idoso' Dida e do ótimo, porém muito jovem segundo os conceitos Dunga de treinar, Felipe do Corinthians estão aí disponíveis porque apostar fichas nestes dois que não passam de bons, nada de supra-sumo.
No miolo de zaga Alex Silva parece ser uma convocação fora de hora, segundo o próprio Dunga diz. O seu companheiro Miranda estaria muito mais cotado para vestir a Amarelinha do que ele já que Miranda teve passagens pelo futebol francês e tem a tão esperada experiência que o treinador tanto espera. Além, claro, de ser muito mais zagueiro, na essência da palavra, do que Alex Silva.
Os volantes são outros que intrigam. Josué é cooperativo e faz o estilo de jogo do treinador. Inteligível até tal ponto. Mineiro depois que saiu do São Paulo não jogou mais nada, mas daremos crédito ao volante que já provou ter condições de jogar pela Seleção, apesar de já não ser um garoto, tem qualidade suficiente para deixar de lado os questionamentos sobre sua atual fase no Hertha Berlin. Agora, Fernando é inexplicável, a pura imagem do cabeça-de-área, ou para ser mais claro, brucutu. Não consegue jogar, e bate, bate, bate e depois, ainda bate. No Bordeaux é rei, mas o que isso realmente quer dizer? Dunga pode estar trocando os pés pelas mãos quando quer colocar em campo seu estilo de jogo e chama jogadores sem condição de estarem aonde ele esteve há anos atrás.
Da mesma forma como no meio-de-campo Dunga será tomado por pressões da imprensa, no ataque a coisa não deve ser muito diferente e assim como Fernando, é estranho ver Afonso com a camisa da Seleção. O jogador teve sua chance na Copa América e pouco fez, para não dizer que não fez nada. Amarra tomou conta do jogador. Brigou com torcida, direção do clube e agora joga pelo time B, uma espécie de castigo merecido para quem era apenas um desconhecido na Suécia há dois anos atrás e pelo Hereenven, time médio na Holanda, fez gols que o levaram a ser cobiçado. O Hereneveen não quis vender e Afonso começou a dar motivos para quererem vendê-lo. Atrasou em reapresentações, não foi treinar e declarou que queria sair. Ninguém mais o quis, e agora só me Janeiro poderá sair dos reservas da equipe. Sem jogar, consequentemente, o jogador não tem condições de ser avaliado e muito menos condições de ser convocado. Pois Dunga convocou-o para as primeiras partidas das eliminatórias e agora terá que se explicar frente ao grande público. Ou alguém realmente acredita que o treinador assistiu a partida Herenveen B x PSV B no meio desta semana para saber como Afonso está?
Nem só de coisas ruins é feita a gestão Dunga no comando da Seleção. Maicon consegue jogar muito melhor com a camisa amarela e no esquema de Dunga do que na Internazionale e coloca no banco o melhor lateral-direito do momento para alguns, Daniel Alves. Elano e Diego voltaram a jogar bom futebol e Dunga lhes deu uma nova chance, e ambos parecem começar a aproveitá-la para crescer e reaparecer aos olhos dos brasileiros. Robinho enfim conseguiu repetir as exibições dos tempos de Santos e pela Seleção vai tomando o posto de grande líder desta geração, enquanto Kaká e Ronaldinho precisam provar algo mais sob o comando do novo treinador.
O caminho até a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul é longo, sinuoso e não está logo ali como um comentarista de TV já disse. Dunga precisa se conscientizar que ele está treinando a Seleção brasileira e que, ás vezes, um pouco de técnica e jogo bonito não faz mal a ninguém. Pregar uma Seleção com 4 / 5 homens de frente é loucura e até certo ponto suicídio no nível em que o futebol mundial está, mas para que convocar um jogador inativo e outro que poderia jogar naturalmente em campos da várzea, se isso poderia ser evitado a medida que jogador com qualidade é o que não falta por estas terras.
Olho aberto Dunga.
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Critérios
Postado por
João Lucas Garcia
às
20:22
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