domingo, 24 de fevereiro de 2008

Imprudência ou Violência?

As imagens que você verá a seguir são de conteúdo agressivo e chocam. Chocam tanto que nem a televisão inglesa teve coragem de retransmití-las para o mundo todo. Uma agressão, um ato de violência, imprudência ou foi sem querer? O último argumento é impossível de ser usado mas é o que boa parte da imprensa prega, um ato de imprudência que vai deixar Eduardo da Silva de fora da competição mais importante de seleções em toda Europa e o fará perder toda a temporada pelo Arsenal, além poder comprometer, inclusive, seu futuro na carreira como jogador de futebol.

Arséne Wenger, treinador do Arsenal, sobre a jogada: "Este rapaz nunca deveria voltar a jogar. O que ele está fazendo em um campo de futebol?" O tal rapaz é Martin Taylor, um zagueiro brucutu daqueles ingleses que se conhece por aqui. A partida era Birmingham x Arsenal pelo campeonato Inglês. O cômico, se não fosse triste, é que Taylor não havia recebido sequer um cartão amarelo em todo campeonato até o jogo de ontem e recebeu direto o vermelho.

Olhando com frieza e analisando pelo lado do Arsenal, Eduardo era um reeserva imediato que estava encontrado seu lugar no time e com isso cavando sua vaga de titular ao lado de Adebayor já que o outro atacante que deveria ser titular, Van Persie, está machucado. Na seleção croata Eduardo, que é brasileiro mas se naturalizou croata para poder jogar na ex-parte da Iugoslávia, era titular absoluto e amado no país. Tinha chegado a um clube grande e de lá não deveria sair. É um bom jogador que pode ter sua carreira interrompida.

Esta é a mesma lesão que tirou Pedrinho dos campos por mais de ano quando o ex-vascaíno era uma das grandes promessas em 1998. Eduardo não é mais promessa, é realidade, mas mesmo assim se questiona como será sua volta e se ela se realizará de forma tranqüila.

A punição à Martin Taylor é uma das coisas mais discutidas hoje em fóruns de futbeol europeu, na Inglaterra e aqui no Brasil inclusive. O memso Wenger que soltou a declaração a cima pediu que o jogador fosse banido, algo demais. Arnaldo Ribeiro, comentarista da ESPN Brasil sugeriu que o jogador ficasse fora enquanto Eduardo também ficar e só voltar quando o croata-brasileiro retornar aos gramados, uma alternativa no mínimo plausível. Agora a história de banir Taylor do futebol e cercear o direito de exercer sua profissão é algo impensável, improvável e ridículo. Caso fosse algo premeditado, a punição seria justa, mas não foi portanto não se deve nem pensar nesta hipótese.

A gravidade da lesão não foi determinada pela vontade ou não de quebrar, mas sim pela forma como pegou na perna do jogador do Arsenal. Aliás, assistam qualquer jogo do campeonato Inglês e veram que entradas deste tipo, carrinhos de frente, de lado, por trás, por cima, são recorrentes e tolerados pela arbitragem que sem dúvida alguma é a que mais deixa o couro comer em campo no mundo todo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

UCL é Outra História


Camisa pesa. Habilidade e categoria nem sempre é tudo. História, na maioria das vezes, conta demais. E o Liverpool bateu a Internazionale com todos estes ingredientes, mas deveria ter sido muito mais do o simples 2x0 conseguido apenas aos 40 minutos do segundo tempo.

Foi um jogo claro de ataque contra defesa. Qualquer melhores momentos que alguém assistir vai mostrar inúmeros lances do Liverpool e, se alguém achar, um da Inter. Ainda mais depois que Materazzi fez uma falta ridícula em Fernando Torres e foi expulso. O caixão dos nerazurri começou a fechar aí, apesar de ainda não estar completamentente selado.

Gerrard fez partida estonteante pela direita assim como Steve Finnan. Na frente Crouch não resolvia e Fernando Torres chutava tudo e tudo que chutava Julio César pegava, espalmava, tirava de perto do gol que defendia. A Inter já se contentava com o resultado de empate, estava perfeito para um time que havia sidop sufocado os dois tempos por um Liverpool aceso e com uma fome de jogo impressionante, talvez para diminuir e se redimir com sua torcida do fracasso que vem sendo a campanha no campeonato Inglês com uma modestíssima e arriscada 4ª colocação. Até que Julio César falhou.

Os Reds tinham chutado muito ao gol de Julio Cesar mas nada tinham conseguido, estava difícil, o goleiro brasileiro estava pegando tudo. Até que em mais uma das bolas cruzadas na área, daquelas altas que Burdisso tinha dificuldades de cortar e Chivu salvava a pátria dos milaneses, ninguém tocou depois de belíssimo passe de Pennant, a redonada passou por Niño Torres e Lucas antes de chegar em Kuyt que estava meio apagadão sem muitas pretensões perto do astro Torres. Mas foi ele quem dominou no peito com a categoria que todos sabem que existe nele desde os tempos de Feyenoord mas que no Liverpool ele pouco mostrou, levantou a cabeça e chutou, de forma esquisita, para baixo, a sorte foi que Julio César estava ajoelhado, como rezando uma missa da mesma forma que Rogerio Ceni sai nas bolas um contra um, a diferença é que na frente do JC não estava Kleber Pereira mas sim Kuyt. A bola subiu enganou o goleiro e explodiu Anfield. Um gol aos 40 do segunto tempo é para derrubar um estádio de tanta alegria, mas ainda tinha mais.

A Internazionale se jogou como uma louca ao ataque, não tinha mais oque fazer, só ir para cima a todo custo, num erro de passe a bola sobrou no meio e o Liverpool puxou contra-ataque, mas Gerrard, um tipo de Ricardinho muito melhor dos caras, cadenciou o jogo e o rebote depois de uma tentativa de chute ficou com Pennant, novamente do lado direito, rolou para o mesmo Gerrard que chutou/cruzou e a bola passou por toda extensão da área nerazurri, não encontrando ninguém no meio do caminho e morrendo no fundo das redes. Novamente era uma bola defensável e mais uma vez JC não pegou. Não pode-se culpar o goleiro brasileiro pela derrota mas ele teve grande participação já que as duas bolas eram completamente defensáveis, espalmáveis ou agharráveis, mas ele não o fez.

O Liverpool prova ter cacife para ir em frente mesmo que não tenha liquidado toda a fatura a seu favor em Anfield e a Internazionale mostra que tem algum tipo sério de trauma em relação a competições européias, não conseguindo passar de fases como oitavas ou quartas-de-final. Sem Materazzi ficou mais difícil e com JC fazendo besteiras e Gerrard jogando toda essa bola, pior ainda.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Profissionalismo Zero


Qual é a noção de administração que a direção de um clube de futebol quando demite um treinador que está há menos de dois meses no caro e não perdeu nenhum jogo dentre os seis disputados? Loucura e ou simplesmente falta de preparo total. É o que imagino também e foi isso o que o Grêmio fez com Vágner Mancini.

A justificativa para a saída do treinador foi a magra vitória sobre o Jaciara por apenas 1x0 na primeira fase da Copa do Brasil. A insatisfação com Mancini é injustioficável. Em seis jogos a equipe venceu quatro e empatou dois. Com um time fraco, mais fraco do que o Grêmio do ano passado. Conseguir encaixar este time como encaixou sem contar com os principais jogadores, Roger, Julio dos Santos e Perea e ainda por cima não perder foi um feito e mesmo assim caiu.

O inacreditável é que além de demitirem Vágner Mancini, um treinador jovem e que conhece muito de tática que já venceu a Copa do Brasil com o Paulista naquela épica final contra o Fluminense, para contratar Celso Roth. Nada contra o ex-treinador do Vasco mas impensável desestruturar um trabalho em seu início para trazer um técnico que sabe-se que não terão nada mais do que jogo feio, retrancado e, com alguma sorte, alguns gols de bola parada.

O sonho da conquista da Copa do Brasil parece ter ficado um pouco mais distante depois da saída de Mancini.

Denílson?!


A contratação do ex-jogador do São Paulo e Real Betis, só para citar os mais famosos, é daquelas que se não fosse um clube treinado por Luxemburgo receberia críticas gigantescas. Mas como estamos falando do Palmeiras de Luxa...bem, a coisa muda de figura.

Denílson é o famoso ex-jogador profissional em atividade e atração secundária de programas dominicais e dos sofá da Hebe. Não joga futebol pra valer há no mínimo uns 4 anos. Foi reprovado em testes na Inglaterra, não conseguiu se firmar nem no Oriente Médio e só deu gastos no FC Dallas. Não fez nada. Absolutamente nada. Além disso, sempre foi muito mais um quase artista circense do que grande jogador. Quantas partidas decisivas Denílson fez em toda a sua vida? Dez, oito? Uma. Final do Campeonato Paulista de 1997. Só, nunca mais. Conseguiu uma transferência que superou os 30 milhões de dólares com este jogo e no Betis ficou 7 anos enrolando onde consegiu a "incrível" média de um gol a cada 13 jogos (165 jogos - 12 gols). A partir daí rondou por Bordeaux, Al-Nassr, Dallas e FC e pra quem não se lembra até o FLAMENGO já teve Denílson. Por 11 jogos.

Não quero ser um difamador da imagem do meia pois por mais malabarista e enganation - termo utilizado pelos integrantes do programa Estádio 97 para aqueles jogadores que fizeram um grande jogo na vida e nada mais - que seja não é pior do que alguns dos meias que temos no nosso futebol nos dias de hoje. Talvez dê certo no Palmeiras pois tem por trás de si o melhor treinador brasileiro - não, o Muricy não é e muito provavelmente nunca será melhor que Luxemburgo - mas a estrutura do Palmeiras não precisava de Denílson.

Diego Souza, Lenny, Valdívia. Pra quê Denílson? Só uma questão de amizade ou daquelas que nunca saberemos para descobrir o porquê dele ter sido contratado. É um jogador que causa instabilidade no elenco também. É uma daquelas apostas de alto risco, mas o Palmeiras fez uma ótima opção ao fazer um contrato de risco com o jogador no qual ele recebe um salário fixo, provavelmente nada muito alto, e conforme sua produtividiade, no caso gols quando omais interessante seriam assistências, aumentará seus rendimentos financeiros. Começa sua caminhada neste sábado contra o Juventus da Mooca em Ribeirão Preto.

Tudo dependerá de Luxa, mas muito mais da forma com que ele fará Denílson ver sua estadia no Brasil durante este ano de 2008, o tempo de contrato dele no Palmeiras. Se for para jogar futebol, talvez consiga alguma coisa, mas se for para ir ao Gugu domingo sim domingo também a chance de fracasso é quase certa.

Depender de Si



Ronaldo se machucou mais uma vez. Poderá ser o fim da carreira do maior atacante que vi jogar, um daqueles que não conseguirá se esquecer fácil, que passou Gerd Müller e Pelé em número de gols nas Copas do Mundo, que superou duas contusões gravíssimas e por triste conincidência do destino sofreu a mesma lesão só que desta vez no outro joelho.

O Milan não parecia muito interessado em renovar seu contrato antes dele se machucar no jogo contra o Livorno, mas agora é praticamente uma questão de honra para o clube rossonero a renovação contratual de Ronaldo. Primeiro porque mostrará apoio total ao jogador e manterá sua imagem de bom clube que é, estrutura e todos os afins, e segundo porque caso Ronaldo volte a jogar no mesmo nível de antes o Milan poderá ter um grande jogador a sua disposição sem custo algum.

Complicado é apostar que ele voltará a jogar no mesmo nível que jogava antes. O famoso R9 dos tempos de Barcelona e Internazionale não existe há muito tempo, mas os seus lampejos já puderam ser sentidos até em Milão. No Real Madrid teve algumas grandes partidas e outras em que não fez nada, talvez a passagem mais razoável de toda sua carreira em um clube, aonde não explodiu mas também não desapontou. Mas nunca será aquele mesmo Ronaldo. Mesmo assim, é preferível apostar em um homem que já resolveu do que em Gilardinos e similares que pouco ou nada fizeram quando a situação realmente apertou (por isso que gosto do Inzaghi).

A lesão foi feia e durará, no mínimo, 9 meses para ser cicatrizada, curada e ele estar em condições de começar pensar em jogar bola. Um ano perdido em sua vida profissional. As palavras do médico que fez a operação em Ronaldo, no Hospital Pitié-Salpetriere em Paris, Eric Rolland são básicas para se entender o que pode ocorrer daqui um ano: "É a mesma lesão de oito anos atrás e digo o mesmo que disse há oito anos. Ele poderá ter uma vida normal, sem problemas. Voltar a jogar bola, não sei, tudo dependerá somente de sua força de vontade e determinação. A fisioterapia começa já nesta sexta-feira e se ele realmente quiser, tem condições para voltar."

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Leis e Interpretações


O clima não era tranqüilo, nunca foi. Leão não se dá bem com clássico, e muito menos com arbitragem. É como água e óleo, algo imiscível. Muricy também vem se tornando tão bom quanto Leão em questão de reclamações. Não está devendo em nada ao treinador do Santos quando a questão é espinafrar com árbitros e suas respectivas atitudes, muito disso também apoiado pela sua diretoria que deu ultimamente para, de forma totalmente desprezível, questionar toda e qualquer atitude dos apitadores de futebol. O mesmo caso se encaixa com o Santos que já pediu até anti-doping para o juíz.

Não posso discutir o baita jogo que foi aqui porque seria até desinteressante. Resumidamente: o São Paulo dominou completamente o primeiro tempo e não mereceu sair de campo com um empate. O gol logo no começo do segunto tempo provou isso e o Santos se soltou. Leão começou a dar, por incrível que isso pareça, a dar um nó tático em Muricy, saindo nos contra-ataques e não permitindo a subida dos laterais tricolores. Aí onde Leão deveria ter ganho o jogo. Não ganhou porque Kleber Pereira foi incompetente e porque o São Paulo levou sorte, muita sorte. Achou um gol com Carlos Alberto.

O que realmente interessa, porém, foram as polêmica,s mas vamos nos ater a três delas. A primeira e mais importante é o pênalti que segundo os principais comentaristas santistas da mídia, como José Kalil e Milton Neves, foi escandaloso, absurdo e claro; enquanto para a parcela "neutra" nada aconteceu. Analisando o lance somente com os olhos foi pênalti sim. Miranda impede a passagem da bola que iria para o gol depois de um lance em que Kleber Pereira teve a pachorra de perder o gol feito, depois de ter perdido mais uma outra vez em lance anterior, mas o que não justificava o zagueiro do são Paulo ter colocado a mão na bola ou ela ter tocado em seu braço impedindo o prosseguimento de sua trajetória. Aí vem a maldita lei da interpretação.

Para uns Miranda estava "deitado" no chão, ou melhor, caído, e não existia a mínima possibilidade de se levantar o que resulta na conclusão de que não houve a intenção de colocar a mão na bola e conseqüentemente não existiu o pênalti. Por outro ponto de vista pode considerar que Miranda estava naquela posição e caso ali não estivesse o Santos teria feito o gol, ou no mínimo conseguido uma melhor chance de finalização. Agora, como avaliar o que teria acontecido se Miranda estivesse sentado, em pé, deitado, de barriga para baixo, não sei.

É por isso que sou completamente contra a tal lei da interpretação. O que é mão é mão e ponto, se ali não estivesse teria uma outra ação no jogo e uma mudança na trajetória de toda a jogada. Não estou aqui dizendo que todos devem amputar os braços para jogar futebol, mas que se ele é um membro que não pode ser usado, então que não possa ser usado mesmo. Nesta jogada, por exemplo, ele impediu o prosseguimento do lance. A FIFA precisa mexer seriamente nesta regra pois enquanto não se estipular o que é certo e o que é errado toda atitude será passível de falha já que estamos lidando com humanos que como já diria um certo preceito, se não falhassem seriam robôs.

Mais importante que esse lance ou talvez em proporção tão grave o quanto foi a expulsão de Tabata, novamente na tal regra da interpretação. Uma pancada vale menos do que um xingamento? O jogador santista sofreu falta clara não marcada pelo árbitro Antônio Rogério Batista do Prado e na seqüência do lance reclamou, xingou e esbravejou. A honra do árbitro é mais importante do que uma agressão, por exemplo, que Adriano fez no começo do jogo ou de um carrinho violentíssimo de Marcinho em Richarlyson no segundo tempo? A inversão de valores que está ocorrendo no futebol é algo preocupante e que precisa ser pensado e resolvido rapidamente.

O destempero de Adriano depois do lance com Domingos merecia expulsão, mas não só para o jogador do São Paulo. domingos também ficou cabeça à cabeça e também empurrou. Foi a tal lei da compensação. Acabara de expulsar um santista, equilibrarei as contas e expulsarei um são-paulino. No final de tudo, ambos os treinadores se provocaram mas nenhum dos dois abertamente criticou muito a arbitragem.

O que não pode ocorrer, é ver o chefe da comissão de árbitros, Coronel Marinho e disser que foi tudo bem que a atuação foi ótima e que não tivemos problemas. Este, com certeza, assistiu outro jogo. Os treinadores têm que se esforçar durante a semana para escalar o melhor que tem para os jogos e para os clássicos este nível de exigência cresce ainda mais. O mesmo deveria acontecer com a Federação no caso dos árbitros que deveriam colocar os melhores, sempre, sem testes como este.