
A citação do título em forma de adaptação do famosíssimo e reflexivo poema de Carlos Drummond de Andrade neste blog se deve a situação em que o Chelsea e, consequentemente seu dono, Roman Abrahmovic, se encontram. A saída de José Mourinho do cargo de treinador dos Blues só coloca mais um(s) pontos de interrogação do torcedor do clube de Stanford Bridge após a demissão do técnico que levou o Chelsea a ser a grande potência que hoje é, e apesar de não ter conseguido a conquista da Champions League tirou os Azuis de Londres da fila que perdurava por mais de 50 anos.
O começo deste texto precisa destacar alguns pontos em que ainda existirá muita discussão sobre o por quê da saída do treinador do português.
A principal suspeita da imprensa inglesa em geral é a constante insatisfação pelo mal rendimento do ucraniano Andriy Shevchenko. Desde que chegou ao Chelsea, Mourinho sempre mandou e desmandou, trouxe jogadores e afastou quem não gostava. Exemplo claro é Geremi que não era nada prestigiado pelo treinador e depois da perda de um pênalti na última semifinal da Liga dos Campeões contra o Liverpool o jogador foi mandado para o Newcastle. Sheva mudou essa situação e apesar da péssima temporada no último ano, ele mesmo admitiu ter passado pelo pior período técnico do futebol em toda sua carreira, continuou no elenco e prestigiadíssimo pelo presidente Roman Abrahmovic. Este, outro dos prováveis motivos da recisão contratual de Mourinho.
O presidente queria montar um super-time. José queria vencer a UCL e , também, muita fama. Abrahmovic gostaria de uma galáxia. Mourinho queria os holofotes sobre seu time e sempre demonstrando aquela empáfia de todo grande treinador que no fundo precisa daquilo - vide exemplo da Vila Belmiro. As coisas começaram a sair de controle quando Abrahmovic fechou os cofres, aí o treinador português abriu o bico e as divergências pularam para fora do centro de treinamento e chegou aos ouvidos da imprensa. Sem tirar o escorpião do bolso, Abrahmovic mandou Mouruinho trabalhar com o que tinha e o que considerava o melhor elenco da Inglaterra, isto ainda na janela de transferências em Janeiro, e o efeito disso foi um grupo reduzidíssimo por razão das inúmeras contusões. Neste time, em que o volante - no caso Essien - exercia o papel de lateral-direito, zagueiro, volante e às vezes, até um armador, o banco de reservas parco foi uma das razões, segundo Mourinho, do fracasso na última Liga dos Campeões. A gota d'água final, justamente na UCL, ocorreu nesta terça-feira no pífio empate contra o Rosenborg, dentro de casa.
A oposição a um grande amigo pessoal de Roman também pode ser outro dos fatores que acabaram com o casamento Mourinho-Abrahmovic, o ex diretor-técnico da equipe e, com a saída de Mourinho, técnico interino do Chelsesa, Avram Grant. O israelense não era das pessoas que José mais gostava e era, inclusive, oposto a sua permanência na direção técnica do Chelsea. A amizade falou mais alto e Mourinho foi voto vencido, mais uma prova de que seu relacionamento com o investidor russo não era mais o mesmo.
Mesmo com todas estas intrigas, brigas, discussões, vaidades e todo o resto que não sabemos José Mourinho precisa ser parabenizado pelo trabalho que fez frente aos Blues. A equipe voltou a brigar por títulos e o bicampeonato inglês foi a grande prova de que um time consegue com solidez defensiva e eficiência, não beleza, ofensiva vencer um campeonato. A única lacuna que Mourinho não conseguiu preencher foi a Liga dos Campeões, a competição mais almejada por Abrahmovic e grande projeto de sua gestão na presidência do Chelsea. Nesta temproada o time Azul não consegui acertar, ao mínimo, um padrão tático e certos jogadores como Drogba e Terry, de confiança do ex-treinador, estavam muito abaixo do potencial que deles se espera. A crise começava a se instalar e a recisão - que pode render ao português cerca de € 37,5 milhões - veio em boa hora, pois ainda existe tempo para organizar o desorganizado e contratar alguém.
A lista é encabeçada pelo 'novo Bora Milutinovic' do futebol, Guus Hiddink. O holandês conseguiu levar o Real Madrid ao título do Mundial de Clubes, além de dois quartos lugares com Coréia do Sul e Holanda, respectivamente, nas Copas do Mundo de 2002 e 1998. Conquistou também uma Champions League com o PSV e seis títulos holandeses com os mesmos. Um treinador que conhece muito de tática e motivador ao extremo, Hiddink tem a capaciadade de levar times fracos a grandes resultados, mas seus únicos dois trabalhos de porte Mundial foram a Holanda e o Real Madrid há quase dez anos. Atualmente é treinador da seleção russa de futebol e faz um ótimo trabalho.
Outros nomes que compõe a lista de Abrahmovic são: Juande Ramos, Fábio Capello, Jurgen Klinsmann e, acreditem, Luis Felipe Scolari.
Por enquanto, porém, o comando ficará na mão de Avram Grant e parece não existir pressa para a substituição do ex-treinador. Para Mourinho as coisas não devem ser tão complicadas e com a punição que o brasileiro Felipão levou após a tentativa de soco contra o sérvio Dragutinovic, não duvido do português assumir a Seleção Lusa. Tudo dependerá da performance nestes jogos que restam como qualificatória para a Eurocopa do próximo ano.
A indagação que fica é a mesma que no último verso do celébre poema drummondiano:
você marcha, José!
José, para onde?
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
E agora José?
Postado por
João Lucas Garcia
às
00:16
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