domingo, 25 de novembro de 2007

A Cara do Treinador


Dunga vem provando ter uma qualidade que não está presente aos melhores jogadores do mundo. É inerente a pouquíssimos profissionais e mesmo pessoas. Os grandes goleiros sempre são ditos como detentores dela e quando se conquista um título ela é sempre lembrada em certos momentos. Dunga vem mostrando ter uma sorte imensurável.

O treinador brasileiro teve sorte na desgraça de Lugano na semifinal da Copa América contra o Uruguai. O treinador brasileiro levou sorte no jogo contra a Colômbia. O treinador contou com ela a seu lado na vitória brasileira sobre o Equador, já que o time nada jogava e as vaias já começavam a surgir quando Robinho deu uma mãozinha á Dunga. O ex-volante teve muita sorte na noite inspirada de Luís Fabiano e Júlio César, ainda mais para se vangloriar depois da partida de que foi ele o responsável pela mudança no comando de ataque da Seleção, consequentemente o dono do resultado.

Efetivamente Dunga mexeu da forma mais adequada possível do jogo contra o Peru para o jogo no Morumbi. Tirou Vágner Love que não vem mostrando bom futebol nem para ser titular do CSKA, sendo Jô o principal artilheiro da equipe na temporada, e colocou LF em ascensão. Ele resolveu, ainda mais em sua casa. O problema de Dunga não é esse, mas sim como sua equipe e os jogadores talentosos não conseguem render em suas mãos.

Ronaldinho com Dunga no comando não fez sequer uma boa partida pela Seleção. Robinho quando fez não era o jogador habilidoso de Santos e, agora, Real Madrid, mas sim um jogador polivalente, marcador que ajudava o time, não o dono do time. Kaká, idem. O brasileiro é ávido por show e Dunga está tirando isso das mãos e do alcance do torcedor. Reclamávamos do tal Quarteto Fantástico que nada fez na Copa 2006, mas o Brasil não tem um time que toca bem a bola e ataca muito mais na empolgação do que na técnica. Kaká que poderia ser o ponto de desequilíbrio sumiu no Morumbi, o mesmo acontecendo com seus dois companheiros de meio-ataque. Quem resolveu? Por incrível que pareça, Josué. O volante do Wolfsburg deu coesão ao meio de campo no momento em que este se achava perdido e ditou o ritmo na marcação dos uruguaios.

A Seleção de Dunga tem uma defesa mais do que sólida e laterais que não sobem ao ataque de jeito nenhum. Gilberto quando sobe não consegue voltar e Maicon é um claro discípulo de Dunga, marcação, futebol força e de resultados, diferente do Maicon da Internazionale de ótimos cruzamentos. Os volantes foram nulos. Mineiro e Gilberto Silva não atravessam grande fase e se limitam a marcação pois quando tentavam algo no ataque o máximo que conseguiam era a perda da bola.

A classificação para a Copa-2010 virá com certeza já que não existem adversários que possam tirar o Brasil da África do Sul, mas é justamente por esta falta de adversários e o desempenho extremamente mais-ou-menos do Brasil preocupa. O que será desse Brasil quando enfrentar a, pasmem, ofensiva e forte Alemanha de Joachim Low, a Itália que sofre da mesma síndrome do Brasil com Roberto Donadoni no comando, a já recalcada Espanha, mas que agora tem
em Césc Fabregas a sua grande esperança ou a França do teimoso Domenech que mesmo com problemas defensivos tem o que falta na nossa Seleção, atacantes de alto nível. Sem contar a Argentina que veremos no Mineirão em Junho próximo.

Dunga precisará ter a sorte ao seu lado por mais dois anos ou perderá não só o cargo na Seleção como a chance de criar uma carreira no mundo dos treinadores.

Planejamento?!

Há duas semanas atrás disse aqui - aqui! - que enfim o Hamburgo tinha encontrado um treinador que desse a eles um padrão de jogo e aproveitasse toda qualidade de Van der Vaart e cia.

Este treinador era Huub Stevens. Era.

O holandês aceitou o convite do PSV para retornar ao futebol de seu país na próxima temporada. A justificativa foi a distância da família e querer conciliar isso com trabalho. Sef Vergoossen comandará a equipe no restante dessa temporada.

E o Hamburgo pode até chegar na Champions League e, por que não, sonhar com o título da Bundesliga, mas dificilmente conseguirá achar alguém que ajustasse de forma tão correta o time quanto Huub Stevens fez.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Ultraviolência


Chegou-se ao insustentável.

A situação na Itália em relação a violência no futebol chegou em um ponto que não é possível mais ignorar. Atos de vandalismo, racismo, insultos contra estrangeiros, sem contar o sem número de escândalos que envolveram o futebol da Bota nos últimos anos, revelam que a situação de profundidade em que está afundado o futebol italiano é extrema.

A morte de Gabrielle Sandri, retrata na foto do post, desencadeou reações esperadas, mesmo que não justificáveis, por todo país. Desde conflitos entre torcidas em auto estradas, como da Juventus contra a Lázio, no momento em que Sandri foi atingido 'sem intenção' por um policial até os embates das torcidas de Milan e Atalanta na partida no domingo 11 de Novembro em Bérgamo que foi uma forma de agredir a ordem que os policiais aplicavam.

A força que as torcidas organizadas, os Ultras lá, tem ficou evidente numa cena ocorrida no mesmo domingo do confronto em Bérgamo e da morte de Sandri. As torcidas rivais até que se prove o contrário, Roma e Lázio, uma espécie de Corinthians e Palmeiras com um ódio aprofundado já que os laziale se inspiram nas idéias facistas de Mussolini, se uniram para enfrentar a polícia de Roma após o anúncio do adiamento do jogo que a Lazio faria no Olimpico de Roma contra a Internazionale, um jogo de alto risco. É a mesma coisa que imaginar inimigos mortais se unindo para lutar contra uma mesma causa que de nada tem a ver com a história.

Os escândalos que assolaram a Itália na transição das duas últimas temporadas resultando no rebaixamento da Juventus e perda de pontos a Milan, Lazio, Fiorentina e Reggina pioraram a situação de ódio que existia.

Faltam perspectivas numa melhora rápida ou pelo menos de ações das autoridades competentes preocupa e, por enquanto, cancela por tempo indeterminado o campeonato. Nem com a classificação confirmada da seleção Italiana para a Eurocopa depois de muito sofrer foi tomada alguma atitude referente aos acontecimentos.

A Itália se torna, aos poucos, uma Inglaterra dos anos 80 com hooligans, agindo de forma liberada e partidas de futebol comparáveis a campos de batalha acabando com o futebol que um dia já foi o mais atraente do mundo.

Kaká+10


A Seleção se resume ao título. Ronaldinho e Robinho são grandes jogadores, sem dúvida alguma. A defesa brasileira, sempre criticada ao longo dos tempos e de outros treinadores, hoje é um ponto de equilíbrio, único aliás na Seleção de Dunga. O gol é bom, mas ainda um pouco inseguro já que são tantos nomes e nenhum que receba uma unanimidade nacional. No ataque já se foi de Afonso à Vagner sem ninguém convencer. Igual Ronaldo demorará a aparecer, pois nas palavras de Dunga, Pato é jovem demais. Muito menos o treinador consegue agradar a alguém. A única unanimidade é Kaká.

Ele arma, cria, articula, marca, concretiza e ainda por cima é um alento aos apagadíssimos companheiros de meio / ataque. Enquanto Robinho levantava o Maracanã com uma jogada linda, porém deve ser lembrado que só existiu aquela hogada feito pelo menino da vila durante todo jogo, e Ronaldinho tentava se igualar com cobranças de falta perigosas, Kaká regia. O único jogo de total lucidez do Brasil nestas eliminatórias foi contra o Equador e mesmo assim com uma mãozinha do adversário, mas Kaká foi perfeito.

A esperança está depositada nele.

O Brasil a Copa vai. Kaká, por enquanto, parece ser a única garantia de tudo isso.

sábado, 10 de novembro de 2007

Ascensão Azul


Há muito tempo se espera do Hamburgo um time competitivo que lute por campeonatos na Alemanha e consiga vagas para competições Européias. Nos últimos anos a equipe tinha promessas como Van Buyten, Boulahrouz, Lauth e a estrela-mor de quem sempre se esperou muito, Rafael Van der Vaart. As coisas neste ano parecem começar a andar e o Hamburgo vem fazendo uma boa campanha na Bundesliga.

Isso se deve a contratação de alguns jogadores que supriram necessidades básicas do elenco do HSV. Kompany resolveu o problema que surgiu com a saída de Van Buyten. Castelen dá ótimas opções pelos lados do campo e Olic vem provando ser umbom atacante, além das opções de banco Zidan e Paolo Guerrero. Revelações germânicas como Ben-Hatira, meia de habilidade considerável, e Chopo-Mouting, um alemão de origem ganesa que se movimenta muito bem pelos lados do campo, dão a sensação de que o Hamburgo tem muito a esperar nos próximos anos.

A saída de Thomas Doll do comando para a chegada de Huub Stevens no comando dos Rothosen modificou além do esquema de jogo - de um time extremamente ofensivo, mas totalmente desguarnecido para um time equilibrado que sabe usar da técnica de seus jogadores pelas laterais do campo para explorar - a forma da equipe encarar as competições. Stevens foi campeão com o Schalke 04 em 1997 da Copa da UEFA e já demonstrou que levar o Hamburgo a Champions League é seu grande objetivo.

Diferentemente do Werder Bremen que tem momentos de inconstância e dependência extrema do talento de Diego ou do Karlsruher que aparenta ser fogo de palha, o Hamburgo vem
conquistando espaço e terreno se tornando o único clube capaz de frear o título quase certo do Bayern de Munique.

domingo, 4 de novembro de 2007

O Maior do Brasil


A conquista são-paulina deste campeonato Brasileiro de futebol não aumenta só o prestígio dos jogadores que conquistaram o penta para o Tricolor ou o treinador Muricy Ramalho que de criticado e turrão passou a bicampeão nacional, mas torna o São Paulo o maior clube deste país. E sem contestações. Contra números não há argumentos já teriam dito.

5 títulos Brasileiros, 3 Libertadores, 3 Campeonatos Mundiais de Clubes, 22 títulos Estaduais e ainda dono de uma infra-estrutura de 1ºmundo.

Ninguém consegue formar equipes como o São Paulo e ninguém mantém tal regularidade com estas mesmas equipes como o Tricolor. Nos momentos de crise a segurança imposta dentro do grupo ficam provadas, como a permanência de Muricy após a eliminação da Taça Libertadores deste ano. A reposição de peças é algo notável dentro do São Paulo. Na lateral-esquerda 4 dos melhores que podem jogar nesta posição no país estão lá (Júnior, Jadílson, Richarlyson e Jorge Wagner).

Jogadores comuns se tornam máquinas dentro do Morumbi. Ou alguém aí pensa que Aloísio, Leandro e Borges são tão diferenciados que levatariam o Corinthians?

Muricy tem grande participação neste São Paulo que ano sim, ano também comemora algum título, mas não pode-se esquecer de que todo este projeto começou com Cuca e seus adjacentes, Danilo-Josué-Fabão, um projeto mais do que profissional que levou ao Morumbi um planejamento a longo prazo. Mesmo sem a Libertadores o esquema e o time de Cuca renderam frutos que seguem até hoje.

A base Tricolor não é das mais fortes, porém neste brasileiro revelou uma característica que não se via, ou pelo menos não se reconhecia: a de revelar grandes jogadores. Do CT de Cotia saíram Breno e Hernanes, duas das maiores revelações deste Brasileirão. O zagueiro são-paulino já é cotado para deixar o Brasil e com propostas de Bayern de Munique e Real Madrid, sendo presença já pedida na lista de Dunga para as Olimpíadas do ano que vem. Ágil, leal e extremamente técnico, Breno tem tudo para se tornar um dos melhores zagueiros brasileiros num futuro muito próximo. Hernanes tem qualidades inerentes a qualquer grande volante. A sua rapidez e a facilidade tanto na marcação quanto Brenonas chegadas a frete impressionam. Conseguiu suprir a saída de Mineiro e Josué com maestria, fazendo com Richarlyson uma dupla de volantes que em nada deve a seus antecessores. Além de tudo isso, chuta muito bem de longa distância e marcou um dos gols mais bonitos do campeonato, contra o Cruzeiro no Mineirão.

O ataque foi bem. O meio cumpriu bem sua função, mas a defesa são-paulina tem que ser elogiada e observada. Alex Silva é dito como o melhor zagueiro em atuação no Brasil, mas Miranda e o já citado Breno estão no mesmo nível, senão acima, do zagueiro da Seleção. Alex Silva faz gols e apóia bem o ataque, mas lá atrás Miranda e Breno cumprem suas funções de forma perfeita. Miranda é consistente e no jogo aéreo ótimo, Breno não precisa nem ser citado aqui, já que só pelo que foi dito acima já pode-se ter uma idéia da qualidade do jovem zagueiro. André Dias nunca comprometeu e sempre fez o básico, cumprindo sua função de reserva, mas com grande qualidade.

Rogério Ceni se consolida como maior ídolo da história Tricolor.

Muricy calou críticos, torcida e boa parte da imprensa. A realidade é que está se formando um treinador capaz de em muito pouco tempo ser o sucessor de Dunga na Seleção. Antes da Copa de 2010.

A única armadilha para o próximo ano é a venda em demasia de seus jogadores. As propostas que chegam para Breno, Souza, Richarlyson, Jorge Wagner, Hernanes, Miranda e Alex Silva, podendo ainda existir alguma que não sabemos, são atraentes e o discurso que acomete quase todos este jogadores é: "Se for bom para mim e para o clube, não existe motivo para não ir." O bom para o clube é relativo. financeiramente, quase todas estas propostas são boas já que o São Paulo sonha reformar o Morumbi para sediar a Copa de 2014, mas o desmanche da base não pode ocorrer se o desejo de direção e elenco é o tetra da Libertadores.

Saídas ou não, conquistas ou não, birras ou não, o São Paulo se tornou o maior clube brasileiro. De todos os tempos.