sábado, 29 de dezembro de 2007

Luto Sequencial


Voltando de umas férias semi-planejadas e com pouco de concreto para comentar do futebol de verdade, não estou falando de inúmeras especulações, podemos destacar este sábado de futebol na Grã-Bretanha. Um sábado de muitos gols, de Manchester United perdendo de virada fora de casa, de Chelsea vencendo com gol impedido, de Berbatov fazendo quatro gols para o Tottenham num jogo com dez gols e o Arsenal goleando o até então surpreendente Everton. Mas o que chocou, mais uma vez, foi a morte de um jogador em campo. Não literalmente em campo, já que foi retirado ainda com vida do

Phil O'Donnell faleceu em campo na partida de seu time, o Motherweel contra o Dundee United pelo Campeonato Escocês. A morte assusta mas nada é feito. A realidade é que não há o que ser feito. O treinador do Motherweel, Mark McGhee, afirmou que o jogador não sofria de problema nenhum e que em nenhum dos exames algo foi constatado. e não estamos falando do sub-mundo do futebol africano ou asiático, muito menos as divisões inferiores do futebol brasileiro mas sim de um campeonato de médio porte na Europa. A morte leva da mesma forma que a vida trás, sem nenhuma forma de aviso prévio. Ainda, na vida, existem nove meses para se preparar, a morte pode vir repentina e assolar um país inteiro com imagens de puro desespero.

Um desfibrilador resolveria? Uma ambulância em campo salvaria a vida de O'Donnell? Ninguém sabe, é impossível saber. Depois da perda de Puerta, em que o jogador saiu andando de campo após cair desacordado em uma das cenas mais chocantes que já vi em um campo de futebol é impossível prever qual seriam os resultados caso estes meios de salvar vidas, em condições normais, estivessem disponíveis.

A obrigatoriedade deles em campo nem sempre é cumprida, mas eles quase nunca salvam vidas quando estão lá presentes. é melhor pecar pelo excesso do que pela falta, mas estes aparelhos não vem sendo suficientes para poupar jogadores da morte.

Não importa mais quantas mortes ocorrerão. Não importa se ela ocorrerá aqui, no Sri Lanka, no Butão, na Ruanda ou em qualquer local distante ou 'seguro' desse mundo, cada dia mais fica a certeza que é possível prevenir mas é quase impossível impedir a mortes dentro de um estádio de futebol.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Recesso

Devido as férias de fim de ano, Natal, Ano Novo, Chesters, champagne e afins não postarei, mas no começo do ano que vem volatrei, se Deus qusier, com tudo.

Eu espero.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Certeza e Risco


Adriano chegou na transação mais improvável deste Dezembro de 2007. Com absoluta certeza também a melhor. Se o São Paulo já era favorito em todas as competições que disputava sem ter um grande atacante na frente - porque Aloísio é, no máximo, esforçado - agora é mais do que favorito, é praticamente barbada total, por exemplo, no campeonato Paulista e Brasileiro.

Junto com Adriano chegam alguns cuidados que precisam ser tomados. Ano passado ocorreu o mesmo caso, ou alguém se esqueceu que Ricardo Oliveira também veio para o São Paulo, jogou seis meses e deixou de participar da final da Libertadores. O caso de Adriano é idêntico. O empréstimo do jogador vai até o dia 30 de Junho. A final da competição continental será dia 2 de Julho.

Cometerão o mesmo erro duas vezes?

Algo que também não pode acontecer é a dependência do jogador por extremo. Se tudo der certo para o jogador, ele virará o artilheiro de tudo que o São Paulo disputar, um hors concours. O empréstimo só irá até Junho e não acredito, e nem ninguém, que a Inter considerará a possibilidade de deixar o Imperador no Morumbi por mais tempo do que isso. Muricy precisará um esquema para jogar com Adriano e não por Adriano.

L'Imperatore tem tudo para explodir no Morumbi. Dar o Paulista, levar a equipe até as fases finais da Libertadores, mas pode também, caso não bem utilizado ou utilizado em excesso, ter seus efeitos colaterais.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Sir Capello


Desde que foi consumada a eliminação da Seleção Inglesa da próxima Eurocopa todos sabíamos que a troca de comando seria inevitável. McLaren era um tampão - dos tipos mais dubitáveis.De Mourinho à Felipão se especulou, mas quem chegou foi Fabio Capello, contratação que evidencia que a FA precisou 'apelar' para o talento de técnicos não britânicos, já que a fase dos treinadores da terra da Rainha anda muito mal, algo quase inimaginável antes de Sven Goran Eriksson e consolidado agora com Capello.

O contrato de 4 anos e meio aliado ao salário de 8 milhões de euros por temporada são claras demonstrações de que Capello não foi só contratado para dar um jeito na caminhada inglesa para a Copa de 2010, mas sim para classificar e levar a equipe ao título da Euro-2012 também. Aceitar as exigências o treinador que trouxe contigo mais 4 italianos foi outro passo que deu carta branca para ele exercer seu trabalho com um único objetivo: vencer.

A grande dúvida por pare dos torcedores, tanto ingleses quanto das outras partes do mundo, fica se Capello fará o time jogar bonito ou buscará apenas o resultado. A Juventus de Capello jogava feio e foi campeã Italiana, mesmo com todos escândalos. A Roma em 200-2001 era agressiva e ofensiva e também levou o Scudetto. Com o mesmo treinador e dois times com potencial técnico parecido, Capello fez com duas fórmulas extremamente diferentes trabalhos vencedores.

Controlar Gerrard, Lampard, Terry e cia. sem deixar o futebol ficar feio e ainda por cima conseguir resultados será o grande desafio da era Capelliana na Inglaterra. Se conseguir superar esse desafio, entra para o hall de técnicos que fizeram história jogando bonito, jogando feio, mas sempre ganhando.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Ele Resolve


Um típico atacante italiano. Assim pode-se descrever Filippo Inzaghi. É daqueles atacantes que perdem gols impressionantes, com uma técnica beirando o medíocre e que costumam ser adorados pela torcida por sua identificação com o clube que defendem, mas tem a seu favor um fator que pouco aparece principalmente para o público brasileiro: ele resolve.

Foi assim na última Champions League com dois gols na final contra o Liverpool que deram ao Milan o título da competição e foi assim hoje contra o Boca Juniors quando fez os mesmos dois gols facilitando muito o trabalho do Milan durante o resto de jogo.

Inzaghi é impressionantemente decisivo. Tem uma média de gols melhor na Juventus do que no Milan - 0,54 gols/jogo pela Juve contra 0,43 pelo Milan - mas pelo Milan conquistou duas Champions League, um Mundial e um Scudetto. Sempre foi decisivo. Claro que quando se joga ao lado de Kaká e Seedorf ou de Zidane e Davids é muito mais fácil, mas Pipo tem no sangue aquilo que é preciso para ser o que é hoje no futebol Mundial, um amuleto, um cara que decide quando ninguém espera.

Enquanto Gilardino tinha tudo para ser o responsável do ataque rossonero, enquanto Ronaldo poderia ser o companheiro de Gila, quem se responsabiliza por isso, e em dobro, é Inzaghi, o verdadeiro matador milanista.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Melhor, Mas Sem Show

Kaká é o melhor do mundo. Sem contestação por aqui. O jogador do Milan tem uma categoria impressionante adicionada a sua grande velocidade, força muscular e técnica apurada se concretizou neste ano de 2007 como o melhor jogador do mundo a frente de Cristiano Ronaldo e Messi. a diferença entre estes dois últimos e Kaká é simples: Kaká não dá show.




Todas as qualidades acima citadas do meia brasileiro dão a impressão de que se trata de um jogador que se destaca pela sua habilidade mas esta não é a realidade. Kaká é um jogador de extrema precisão, com passes milimétricos e jogadas individuais que levam o Milan a frente e foi o grande responsável, apesar dos dois gols de Pippo Inzaghi, pelo título dos rossoneri na última Champions League e continua sendo a grande figura em campo, ou talvez única ao lado de Pirlo e Seedorf que com alguma luz ajudam o brasileiro, mas Kaká nunca se destacou por dribles maravilhosas, jogadas dilacerantes ou exibições de extremo brilhantismo estético.

Messi e Cristiano Ronaldo sim, como alguns outros. Fazem do futebol um pouco mais interessante e belo. Kaká, entretanto, tem algo que ambos ainda precisam ganhar: a objetividade.

Todos os três são grandes jogadores. A diferença sutil está na forma de quem olha o futebol. Se você ama show, prefere Garrincha à Pelé e acha que um drible vale muito mais do que um gol, muito provavelmente não concorda com a indicação de Kaká para melhor do mundo, mas se acha que o que vale é o resultado, se gols, independentemente da estética deste apresentado, aprova a eleição do meia pela France Football.

Indiscutivelmente todos são grandes jogadores. Indiscutivelmente todos disputarão a condição de melhores do mundo em breve. Mas, o futebol é feito, principalmente para os brasileiros, de espetáculo e não de importância de precisão.

A única coisa que não consigo entender é o por quê de sempre conclamarem o futebol brasileiro como o da habilidade e da beleza e o argentino o da força e pancadaria quando o que se vê é um Maradona e Messi na condição de jogadores espetaculares e dribladores contra Pelé e Kaká, objetivos e goleadores.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Considerações (Cômicas) Após Uma Meia Rodada De UCL

- É melhor ter uma perna esquerda de Stolditis do que ter uma dupla de zaga com Naldo e Baumann.

-Uma inequação verdadeira : Kovacevic > Sanogo + Rosenberg + Hugo Almeida

- Galleti descobriu que é muito melhor ser ídolo na Grécia e ter seu nome feito como trocadilho com bolachas - galletas - a ficar no banco do Atletico de Madrid vendo seu time amarelar todo ano, e no ano que ele sai o time começa a andar. Este último que também se aplica a Fernando Torres.

- Enquanto o Robinho pedala, o Raúl marca e o Julio Baptista dá patadas, o Pandev joga com meia perna e ainda marca um gol para Lazio contra a 'fortíssima' defesa merengue que conta com Cannavaro e Heinze.

- Comentáio de Silvio Lancelotti hoje na transmissão de Real Madrid x Lázio na ESPN: "O Sergio Cragnotti - presidente da Lazio nos seus tempos de glória na virada do último século e dono da Cirio no Brasil - é um cara muito simpático, já jantei várias vezes com ele, o problema é que o cara num sabe administrar seu dinheiro."

- Mas é um bonde isso que tá passando por cima do Olympique no Velodromé!

- Ahh se o Gerrard soubesse bater faltas na época que enfrentou o Rogério Ceni...

- E o Valencia conseguiu perder a classificação para a Copa da UEFA para o Rosenborg. ROSENBORG!

Aposto com quem quiser que o adversário mais difícil que alguém vai enfrentar nessa segunda fase de Champions League será o que confrontar o Olympiakos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Euro-2008 - Sorteio dos Grupos


Os sorteios para a Eurocopa de 2008 ocorreram na semana passada, mas por falta detempo não consegui comentá-los. A realidade é que configurou-se quatro grupos, sendo que em dois há barbadas - Alemanha e Portugal - enquanto o maior e, talvez melhor, grupo da morte já visto em uma Euro poderá se ver na Suíça-Áustria 2008.

No Grupo A está a anfitriã Suíça, a renovada seleção da República Tcheca, os ofensivos turcos e a seleção portuguesa de Felipão. A sorte de Felipão ter caído em um grupo relativamente fácil colocará a prova, porém, se a superioridade portuguesa é mesmo a que todos dizem ou se Ronaldo, Quaresma, Hugo Almeida e cia. terão que suar muito para chegar ao nível de seus antecessores que levaram a equipe a uma semifinal de Copa do Mundo e uma final de Eurocopa. A suíça tem uma defesa fortíssima tanto que foi eliminada da última Copa do Mundo sem sofrer sequer um gol, o problema está na atual fase de Senderos, Müller e Djorou que comprometeram em seus últimos jogos por seus respectivos clubes, a carência de um atacante que não seja Alexander Frei lá na frente pode prejudicar a aposta de Kobi Kuhn em avançar a outra fase. A República Tcheca se recuperou da aposentadoria de Nedved da Seleção e com um time muito jovem tem tudo para estragar a festa Suíça no grupo. Plasil voltou a jogar bem e Rosicky ainda é um maestro. O ataque, assim como o dos suíços, não é lá grande coisa já que Baros e Koller estão longe de seus grandes dias. A Turquia aparece como opção e uma zebra mesmo que
o grupo seja equilibrado. Os irmãos Altintop, Hakan Sukur e Nihat são os grandes nomes ofensivos já que atrás, exceto pelo goleiro Rustu Reçber, não existe grande qualidade.

A mesma situação de barbada se repete no grupo B. Com uma Seleção que hoje pode ser considerada a melhor do continente europeu, os Alemães tem uma possibilidade única de ultrapassar a primeira fase da Euro sem preocupações, coisa que não fez nas duas últimas edições. O equilíbrio dos germânicos é algo destacável e a posição de
destaque não se dá pela presença de inúmeros craques mas pela força do conjunto que conta com bons jogadores em todos os setores. Croácia e Polônia fazem o duelo pela segunda vaga. Os croatas são outros que parecem ter se reencontrado pós-Copa e com a experiência de jogadores como Kovac e Simic e a juventude atrelada a ótimas apresentações do lateral do Manchester City Corluka e do meia do Schalke 04 Rakitic tem nestas suas maiores apostas. A Polônia tem a mesma força que os alemães, mas com óbvia menor qualidade. Nomes já conhecidos como Krzynowek, Zewlakow e Smolarek são titulares absolutos enquanto o meia do Dortmund de nome impronunciável - Blaszczykowsky - é a nova aposta para um meio campo criativo. A pobre dona de casa Áustria deve fazer mero papel de figuração nesta Eurocopa pis nenhum nome em seu elenco atrai e dos poucos conehcidos está o goleiro do Siena Manninger.

O Grupo C, porém, merece uma atenção redobrada, triplicada ou até toda atenção da fase inicial da Euro. Não é todo dia que em um período de menos de duas semanas veremos jogos como França x Holanda, Itália x Romênia, Holanda x Itália e a repetição, mais uma vez pois nas eliminatórias para a Euro já foram dois jogos, da final da última Copa do Mundo entre Itália x França. Os Holandeses, cabeças de chave não conseguiram cair em um grupo tranqüilo e as chances de classificação para a fase de quartas-de-final diminuiu muito, mas há de se indicar que nada é definido antes da hora neste grupo. Uma Seleção que conta com Van Nilsterooy,
Sneijder, Robben e mais inúmeros jogadores de fama e qualidade mundial não pode ser dada como morta antes da hora, ainda mais quando se tem um treinador como Van Basten no banco, que quebra as regras com facilidade e adapta o time ao esquema de jogo necessário àquela partida, diferentemente do que antes acontecia quando os holandeses jogavam apenas no seu rotativo 4-3-3, o único problema é que Van Basten já confirmou que saí após a competição continetal, o que pode servir de incentivo ou não para jogadores e comissão técnica. A Itália se classificou no sufoco de Glasgow graças a Panucci. A Seleção não encanta mas quando apertada faz a sua obrigação. Foi assim na Copa do Mundo, foi assim na classificatória para a Euro. O que não pode acontecer é um salto alto. A falta de atacantes consolidados é um problemas mas que também pode vir a ser uma solução, enquanto a consolidação não acontece Donadoni não pode ser teimoso e o trio Pirlo-Ambrosini-Gattuso precisa render o mesmo que faz no Milan. A França de Domenech é sistemática. Tem um ataque primoroso, mas uma defesa de dar calafrios. Enquanto Thuran não se recupera tecnicamente e Coupet não consegue está apto a jogar os Beus vão sofrendo com Frey e Landreau. Se Domenech não inventar, a França tem mais capacidade técnica para passar, em função de Henry, Anelka
, Trezeguet e Ribery. A surpresa pode vir da Romênia. Um Adrian Mutu em forma estraordinária e um grupo forte que conta com destaques jovens como Nicolita e Dica tem tudo para assombrar e, com alguma sorte, roubar umaa vaga de duas das três gigantes.

A Grécia não terá um caminho tranquilo na busca do bicampeonato Europeu. Espanha e Rússia pode-se dizer, por incrível que pareça, estão no mesmo nível hoje. Guus Hiddink colocou os russos em um patamar de time extremamente perigoso e que sabe se defender tornando de Kerzakhov, Bilyialetdinov e os irmãos Berezutskyi peças fundamentias no renovado selecionado russo. O treinador holandês tem a seu favor a experiência em outras competições internacionais, como duas semifinais de Copa do Mundo, com Holanda em 1998 e Coréia do Sul em 2002, além da impressionante campanha que fez com a Austrália no último Mundial quando quase eliminou a Itália nas oitavas-de-final, não fosse um pênalti mal-marcado em cima de Fabio Grosso. A Espanha se ajeitou e pela primeira vez em muitos anos tem um real craque em seu time: Cesc Fábregas. O volante, que também pode trabalhar na meia, faz uma função crucial na seleção Ibérica carregando o meio-campo e dando impulsão e fôlego para Xavi Hernandez, Riera e Iniesta. As opções de banco também são boas ou Joaquín, Morientes e Juanito são maus jogadores? Apenas a auto-confiança exacerbada pode eliminar a Espanha tão cedo da competição. Os gregos não renovaram o grupo, muito pelo conrário pois a base é praticamente a mesma, mas é nessa solidez e entrosamento que reside a maior arma dos helênicos já que no banco eles tem Otto Rehaggel, o Deus Alemão na Grécia. Rehhagel ja provou ser mais do que um simples treinador e não será surpresa se conseguir levar os gregos novamente a fazer sucesso na Euro. A Suécia, última deste grupo, é a mais instável de todas. Faz partidas épicas e jogos horrorosos com umaa volatilidade impressionante. Os nórdicos tem a seu favor Ibrahimovic em fase nunca antes vista, ou talvez apenas no Ajax anos atrás, mas com uma dierença, agora Ibra tem cerébro. Kim Kallstrom ainda não se impôs no Lyon mas tem toda a capacidade para fazê-lo enquanto a Suécia ainda olha com certa desconfiança para Johan Elmander, o possível comapnheiro de ataque para Ibrahimovic, muito melhor que as outras duas opções Rosenberg e Rade Prica. Exigir dos suecos uma grande campanha dentro deste grupo é algo quase impossível,as, na mesma posição da Grécia, os suecos podem passar, pois este é o grupo mais equilibrado da Euro.

Emoção vem aí. Com barbadas e dúvidas totais, mas com muito, mas muito bom futebol.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Fiel Até o Fim


A situação delicada em que se encontra o Corinthians não é de hoje. Na verdade, este domingo só foi o capítulo final de uma novela que começou depois da derrota contra o River Plate em 2003 pela Libertadores da América. tudo mudou depois daquele dia. Veio uma parceria enganosa porém proveitosa, vieram craques de nome internacional para conter, como o ópio contenta o viciado, a torcida prometendo ser o maior time das Américas. O título veio, a ilusão se formou e a derrota, novamente para o River Plate, mas dessa vez dentro de um Pacaembu abarrotado e ensandecido, começou a deteriorar e formar a pior das crises que poderiam acontecer dentro de um clube de futebol. A partir daí a podridão em que estava afundado o Corinthians começou a ser descoberta e desde dinheiro para a compra de cuecas quanto "o presidente" dizendo que o título de 2005 foi "roubado" aconteceram nestes últimos meses. Este 2 de Dezembro apenas complementou o pior dos ano da história corinthiana.

A culpa não estav só nos jogadores. Do que adianta cobrar Edson, Aílton, Wilson, Bruno Octavio, Arce, entre outros que não tinham a mínima capacidade técnica para estar jogando em um clube como o Corinthians. A cobrança deve ser feita, e em demasia, em cima de Gustavo Nery, Roger e cia que com salários estratosféricos e uma vontade de minúscula de jogar futebol colaboraram para o Corinthians estar nesta situação. Obviamente que a culpa não foi só deles. Senhor Alberto Dualib, um idoso que estava no comando dessa instituição há mais de 15 anos fez um dos piores trabalhos na presidência de um clube de futebol que já foi visto em todos os tempos. Precisou de três parcerias - Banco Excel, Hicks Muse e a MSI - para manter o futebol e tirá-lo da lama, mas imediatamente uma após outra parceria colocá-lo dentro de eternas dívidas novamente, conquistou inúmeros títulos, mas perdeu quatro Libertadores com times superiores aos de seus adversários, contratou mal e quis se perpetuar como um ditador no Parque São Jorge, por questões políticas fez balbúrdia e não querendo ser apenas presidente ainda conseguiu a façanha de ser odiado por mais de 30 milhões de torcedores mesmo tendo ganho tudo que podia no comando do clube alvinegro. Uma prova a mais para a comprovação do quão ruim foi a administração Alberto Dualib no Corinthians.

Andrés Sanchez tentou revigorar o time em três meses e, é claro, não conseguiu. não me parece o pior nome para estar no comando do Corinthians como muitos diziam, mas precisará ter a cabeça fresca agora com a situação que o Timão terá que enfrentar jogando em semi-estádios, fazendo viagens longas, tendo menos dinheiro em caixa e menos participação dos lucros do Clube dos 13 e, se isso é possível, ter mais dificuldade em contratar bons jogadores. Nelsinho deve sair, fez um trabalho como todos os que comandaram o Corinthians esse ano: abaixo da média, tentando empatar e perdendo jogos em casa que não poderia perder, como contra o Vasco jogado na última quarta-feira.

O time em si não é dos piores. A zaga corinthiana, por mais criticada que seja é composta sim por nomes que se não são titulares em qualquer time do Brasil poderiam brigar por vaga na grande maioria deles, exceto talvez no São Paulo. Betão e Zelão não tem a mínima técnica, atributo que Fábio Ferreira tem, mas que as vezes falta ao jogador a raça proveniente dos outros dois, e tal raça que não foi suficiente para salvar o Corinthians poderia ter sido muito pior caso eles não estivessem em campo como na vitória contra o São Paulo ou contra o Figueirense. Os volantes corinthianos não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Ou marcam ou atacam, e isso é um grande problema. Ressalva feita a Moradei, todos padeceram de uma irregularidade enorme nesta temporada sendo Carlos Alberto uma decepção mas que pode ser recuperada para o próximo ano. As meias são ridícula,s junto com as laterais. Aílton, Héverton e quem mais quiser jogar naquela posição não pode continuar no Corinthians para o próximo ano, ali precisa ser feita uma reestruturação enorme já que desde que Willian saiu o Timão não consegue encontrar alguém para a posição. Os laterais são motivo de lástima. Os gols do Vasco na quarta-feira e do Grêmio ontem surgiram pelos dois lados. Pela lateral-direita para ser mais exato. Edson, Amaral, Iran, quem quer que seja, também não pode ficar para o ano que vem, a capacidade de marcação, nestes momentos, tem que ser maior que a vontade para subir ao ataque. E os dois gols sofridos nos dois últimos jogos que poderiam ter tirado o time da 2ª Divisão mostram isso.

Finazzi e Felipe. Um marcou mas não evitou o outro fez muito mais do que devia mas também não conseguiu salvar o Corinthians. Tenho dó de ambos. Finazzi pelas críticas desmedidas e até certo ponto não merecidas, Felipe pelo clube em que se encontra jogando com os jogadores que joga e ainda tendo a responsabilidade de ser o novo salvador, ou pelo menos tinha, e ídolo da Fiel. Finazzi fez o possível dentro de suas capacidades e teve um crescimento no seu rendimento nas últimas rodadas impressionante chegando aos 13 gols. Felipe vem jogando bem desde os tempos de Vitória. Passou por Portuguesa e com um Campeonato Paulista fenomenal chegou ao Corinthians em clima de desconfiança. Provou a todos a sua qualidade de goleiro de Seleção Brasileira e hoje carrega como mártir a cruz do rebaixamento corinthiano. Foi um dos únicos que pareciam afetados com este fato no Olímpico após o empate contra o Grêmio.

Finazzi não pode comparecer ao jogo pois numa decisão de puro jogo político promovido por Rubens Aprobatto Machado ele foi suspenso por dois jogos tirando dele a chance de jogar a partida decisiva contra o Grêmio. Ele, o mesmo que liberou o Maracanã para o São Paulo, Dodô para o Botafogo e inúmeros casos de favorecimento á clubes cariocas. Detalhe, ele é corinthiano e conselheiro do clube. Mas aqui não vem ao caso reclamar dele ou do pênalti que foi batido três vezes para ser validado no jogo Goias x Inter que deu a permanência na Série A ao time goiano. Aqui é preciso destacar a importância destes dois jogadores. Finazzi merece menção honrosa e marcará este time. Felipe deveria receber um busto em frente o Parque São Jorge como uma espécie de honra ao mérito, já que o jogador foi a grande razão para o Corinthians não ter caído antes.

A Série B vem aí. A tristeza que em mim aflige e tenho toda certeza que também bate no peito de todos os corinthianos e aqueles que não são anti-corinthianos é a de ver a torcida tendo que cair. A Fiel não merecia isso. Os administradores e alguma parcela de jogadores merecia. Ver a torcida corinthiana empurrar o time como empurrou na quarta-feira como incentivou contra o Vasco é algo proveniente apenas de mágica ou coisa parecida. 90 minutos apoiando algo que não merecia ser apoiado, mas mesmo assim, acima de todas as circunstâncias a torcida alvinegra promoveu um dos maiores espetáculos que se pode ter idéia dentro de um estádio de futebol. Cantar, apoiar, torcer, sofrer. Arrepiar-se. Estas vão ser algumas das vertentes que passará se for em algum jogo do Corinthians e se passar pelo menos 3 horas dentro do estádio, de preferência o Pacaembu, pois é lá que a Fiel é mais Fiel. Em nenhum momento houve vaias. Em nenhum momento houve reclamações, xingamentos, protestos ou invasões de campo. A torcida parece ter se conscientizado de sua importância e percebeu que de nada adiantaria isso. empurrou a todo momento. Pena que também não adiantou. Será triste ver este time jogando às terças e sextas-feiras a noite, será triste ver essa torcida se deslocando para locais que não terão condições de abrigá-la e será mais triste ainda ver o Corinthians jogando uma Segunda Divisão. Ninguém nunca vai sentir o que esta torcida sentiu hoje, pois foi diferente, este domingo 2 de dezembro de 2007. Um sentimento de melancólica misturada a uma raiva descomunal mas ao mesmo tempo a um amor incessante e que continuará no peito independente de resultados.

Independentemente de resultados esta torcida continuará apoiando seja do Oiapóque ao Chuí, seja da Austrália ao Zimbabue, seja desta galáxia até a imensidão do desconhecido universo. Esta torcida continuará ao lado deste time de qualquer foram, a qualquer tempo, em qualquer lugar e de qualquer jeito. Nestas horas que percebemos que o Corinthians é uma torcida que tem um time e não o contrário. É muito mais do que futebol, é uma religião.

Neste domingo, o Corinthians traiu os seus torcedores, como um amor platônico que trai, mas eles sabem, e talvez este seja o único alento neste momento de pura tristeza, que este será o único amor eterno em todas suas vidas.

Corinthians, nunca irão te abandonar.

*Foto: Jornal Lance!