terça-feira, 18 de março de 2008

Tudo pelo Torcedor (Ou Pelo Lucro)


A Juventus de Turin terá um novo estádio ! Notícias assim não são dadas todos os dias no futebol, mas a frequência tem aumentado. A modernização, as necessidades de não se ter apenas um estádio mas sim uma arena e o lucro, principalmente o lucro e o conforto, tem tornado cada vez mais frequentes clubes que tem um dinheirinho sobrando no cofre investir na contrução de um novo palco para abrigar suas partidas. A Juve, porém, tinha um estádio semi-novo.

Há menos de 6 anos a Vecchia Signora arrendou o Delle Alpi, seu antigo campo, por 99 anos. O estádio que é da prefeitura de Turin foi construído em 1990 para a Copa do Mundo na Itália. Antes a Juve mandava seus jogos no Comunale de Turin, o estádio municipal dividido com seu arqui-rival Torino. Com este novo estádio a Juventus tinha um belo cmapo, com uma modernidade acima dos principais campos italianos - Giuseppe Meazza, Olimpico de Roma e até Artemio Franchi - porém o que faltava era uma boa localização.

O nome Delle Alpi não é à toa e significa estádio dos Alpes numa referência à localização dele, próximo das montanhas e longe de tudo o que sempre desagradou os torcedores e nunca fez com que o estádio ficasse cheio em grande parte dos jogos, apesar da torcida da Juve ser a maior da Itália e a maior de Turin. O gota da água para a Juventus foi a temporada 2005/2006 onde mesmo com a equipe sendo campeã italiana (com o título revogado depois pela descoberta do Calciocaos) a média de público foi de 35880 pessoas, quase a metade da capacidade total do estádio. Além da distância de Turin, a visibilidade daqueles que ficam nas arquibancadas inferiores é prejudicada pelas placas publicitárias e os setores mais altos ficam muito distantes do campo. Em 2001/2002, numa partida pela Copa da Itália miseráveis 237 espectadores foram assitir uma partida da Juve contra a Sampdoria. Algo absurdo para um clube gigante como o bianconero.

Nem para shows de grande porte o Delle Alpi serve mais. Nos últimos oito anos, de relevante, só recebeu Police no ano passado, AC/DC e U2 em 2001. O conceito de arena do estádio não é vivável e a Juventus tentou implementar um plano para venda do nome do campo e remodernização, trazendo as arquibancadas mais próximas do campo de jogo e diminuir a capacidade para 35500 espectadores, diminuindo, consequentemente, os custos. Tudo isto, porém, dependia da vitória da Itália como candidata da Eurocopa de 2012. Como perdeu, tudo ficou no papel e o dos Alpes inutilizável.

O novo estádio promete ter tudo que a Juventus quer. Facilidades, locais para se gastar o dinheiro, confortabilidade, mas principalmente, que atendam as encessidades do seu torcedor.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Il Fim Mancini


O que não faz uma derrota. A Internazionale vinha em uma campanha sublime nesta temporada. Apenas uma derrota no Calcio e na Liga dos Campeões vinha jogando pro gasto, vencendo e passando para as oitavas-de-final. Foi só pegar o Liverpool pela frente, sofrer uma derrota para o Napoli para começarem a surgir os boatos de que as crises no elenco eram insuportáveis e que o relaiconamento Mancini-Figo nunca estivera pior. Depois da eliminação nesta terça-feira, a confirmação disto tudo veio à tona.

Apesar de nenhum dos envolvidos na confusão confirmar, todos sabem que Mancini e Luís Figo tiveram um sério desentendimento durante o jogo contra o Liverpool. O português não aceita a condição de reserva e Mancini não o considera útil para seu elenco. No jogo de ontem, poderia até ser diferente, já que Vieira e Stankovic estavam jogando muito mal, mas o técnico interista
por birra, por desgosto, mas com certeza não por opção técnica, optou por deixar Figo no banco. O desentendimento, segundo a imprensa italiana, ocorreu durante todo o segundo tempo, com discussões sérias.

Após o jogo, Mancini disse: "Estes são os meus dois últimos meses na Inter." Segundo o próprio Mancini em entrevista coletiva pós-jogo, esta já era uma decisão tomada há tempo e o elenco já tinha sido avisado sobre isso. Além, ainda disse que não voltará a treinar outro time na Itália em um período próximo.

Demissão e últimos dois títulos italianos à parte, à Mancini falta umas das coisas mais importantes para qualquer treinador top class: controle emocional. Nunca mostrou ter o time da Internazionale em suas mãos, tanto que nesses dois últimos anos de títulos - sem concorrentes a altura na Itália - a Inter chegou a escorregar em pequenos momentos. No âmbito continenal nunca esteve perto de chegar ao título da Champions League. Foi eliminada por Valencia, Villarreal e, agora, Liverpool. Falta cabeça a Mancini e aos clubes que ele treina. É o famoso rei das Copas, conquistando já 6, com 4 clubes diferentes. Os scudetti, por mais que tendam a contrariar a minha opinião com fatos, números e nomes, não foram de total mérito da Internazionale mas sim da falta de adversários que pudessem combater com a mesma força o time nerazurri. Este ano, com todos os grandes clubes na Série A, mesmo sem boas condições, comparadas com a Inter, o clube de Mancini vem tomando um sufoco para abrir vantagens monstruosas na liderança. Agora, só resta o campeonato Italiano para o clube de Appiano Gentile.

Saindo Mancini a especulação principa (e óbvia) é Mourinho. A direção interista já disse que é a primeira opção de sua lista. O treinador nunca negou a vontade de ter em suas mãos um elenco competitivo onde ele pudesse contratar sem a interferência de uma direção mais preocupada com marketing e lucros do que qualquer outra coisa. Caso vá para Milão não será muito diferente. A pressão por uma Champions League faz o presidente Massimo Moratti cometer loucuras na hora de contratar. Talvez por isso o nome mais indicado não seja Mourinho. Uma Champions League no currículo. Com o Porto, há 4 anos. Só. Ganhou muito no Chelsea, mas não o objetivo.

Se a Inter quer ganhar a UCL chame Benítez. O espanhol vem se especializando em ir bem na competição continental e no currículo já tem duas Copas Européias e
dois títulos no âmbito nacional. A diferença para Mourinho está na forma de pensar. Por um lado não faz exigências de mídia e não quer ser o centro da atenção sempre por outro quer os jogadores que indica e caso não venham ele pede para sair ou arranja briga com os diretores, presidentes e quem mais que seja responsável pelas transferências. Já foi assim duas vezes. No Valencia e no Liverpool. Pela forma como seu relacionamento está deteriorado em Anfiel Road, não deve ser muito trabalhoso tirar Rafa da Inglaterra. Dois únicos laço que podem mantê-lo lá são, a torcida red e a ânsia da mesma por um título inglês. Excetuando-se isso, não havia melhor momento para uma proposta chegar às mãos do espanhol.

Mancini não conseguiu levar a Inter no ano de seu centenário ao título que não chega há mais de 40 anos. Isto prova que o time tão conclamado como o melhor da Europa nos útlimos anos só terá uma prova real da sua força ano que vem. E sem Roberto Mancini.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Surpresas, Goleiros e Decepção


Não há como comentar de futebol europeu sem falar de Champions League e esta competição é sinônimo de Real Madrid, Milan, Liverpool... nesta edição, porém, os grandes vencedores foram deixados para trás - excessão dos Reds que jogam na próxima terça-feira contra a Internazionale - e três times surpreenderam de forma positivíssima. Vamos aos fatose quem eles são.

Sem dúvida alguma o Fenerbahçe tem sido, até aqui, o clube com menos história e que mais vem assustando. A equipe joga bem, flui como uma engrenagem perfeita e já encaixotou vitória na fase de grupos contra a Internazionale estando ainda invicto em casa na UCL. Atuações perfeitas de Deivid tem se tornado cada vez mais frequentes e caso não fosse a idade mais avançada do goleador ex-Santos e Corinthians este já estaria sendo pretendido por algum grande clube europeu. É necessário ressaltar também as boas contratações feitas pelo Fener onde Roberto Carlos voltou a jogar em ótimo nível, mesmo com o peso da idade, Edu Dracena e Lugano fazem uma ótima dupla de zaga, Alex é mais do que maestro e faz lembrar o que era Juninho Pernambucano no Lyon há tempos atrás. As saídas de pesos mortos com salários altos, como Rustu e Tuncay que pouco faziam ao time no último ano, também são pontos positivos desta nova política. O grande responsável, porém, está no banco de reservas.

Zico sempre foi questionado como treinador, pelo menos aqui no Brasil. O que fez no Japão faz no Fenerbahçe com maestria. Independentemente do adversário, os turcos jogam para frente num futebol bonito de ser visto. Por mais suícida que esta tática pareça as vezes foi assim que eles conseguiram passar pela imbatível Inter no primeiro jogo da fase de grupos da UCL e bateram o Sevilla, atual bicampeão da Copa da UEFA, nas oitavas-de-final. Mesmo com Zico, RC, Deivid e cia nacional nada disso seria possível sem o goleiro Demirel. Depois de dois erros inaceitáveis no tempo normal e um gol aos 41 do segundo tempo, o sucessor de Rustu só faltou fazer chover no Ramón Sanchez Pizjuán. Pegou três penaltis, garantiu a classificação e ainda se redimiu das besteiras cometidas no primeiro tempo.

A segunda surpresa ficou por conta do Schalke 04. Com uma campanha muito abaixo do que se esperava na Bundesliga, sem grandes nomes em seu time, apesar de ter uma base mantida do último ano, e sem conseguir grandes resultados na fase de grupos, ninguém botava a mínima fé no time de Gelsenkirchen. O sorteio colocou-os frente à frente com o time do Porto, o melhor em Portugal e um dos mais equilibrados tratando-se de Europa. Ninguém apostava, nem mesmo o próprio Schalke que quase perdeu a vaga para o 'fortíssimo' Rosenborg.

Vencendo a primeira partida, mesmo que por 1x0, com uma retranca daquelas mais típicas dos italianos do que dos alemães, os Azuis Reais se contentaram em levar a vantagem mínima para a cidade do Porto. E conseguiram segurá-la por quase noventa minuos. Quase. O gol sofrido aos
42 do segundo tempo num chute de muita categoria de Lisandro Lopez parecia ser o início da derrocada do Schalke e de seu goleiro Neuer que fazia partida espetacular, comparável a Maier/Schumacher/Kahn. Não foi. Neuer continuou pegando o possível e o impossívle, defendendo um lance cara a cara com Quaresma e um chute à queima roupa de Marek Cech, ambos lances na prorrogação. Para selar com perfeição, Neuer pegou dois pnaltis, sendo o último deles de Lisandro Lopez numa defesa que mesmo sendo de uma infração máxima foi linda. Abaixo, a foto do lance:

Curiosidade: Neuer foi gandula na final da Champions League em que o Porto disputou contra o Monaco, na temporada 2004/2005 em Gelsenkirchen. Três anos depois, ele continua pegando a bola dos portistas.

A atuação dos Azuis de Gelsenkirchen de modo geral foi boa. Provou que Mirko Slomka é um bom arrumador de times e que faz jogadores como Grossmüller renderem muito mais do que realmente são. As armas estão atrás. Rafinha-Krstajic-Bordon-Grossmuller fazem hoje uma defesa quase intransponível e quando esta é ultrapassada atrás existe o goleiro Neuer para salvar. Os problemas ofensivos são complicados e aí se vê também a teimosia de Slomka. O treinador barra Rakitic, o melhor meia desta equipe no momento, para deixar em cmapo Kobiashivili, geórgio que há tempos não faz bons jogos. Sem Jermaine Jones na próxima rodada, Mirko terá de abrir mão de seus preceitos e colocará Rakitic em campo ou até mesmo Zé Roberto, ex-Botafogo, que tem muito para arrebentar na Alemanha.

Estas foram as surpresas, eliminando dois times de médio porte mas que tinham mais história e melhores jogadores do que ambos. E o inverso? Mais uma vez o Real Madrid manteve a sina dos últimos quatro anos e caiu nas oitavas-de-final, o incrível foi o adversário para quem perdeu: a Roma.

O clube da capital italiana é um freguês hisórico dos merengues. Dos últimos sete jogos antes destas oitavas-de-final, quatro vitórias madridistas, dois empates e uma vitória romanista. Uma. Agora, três. O resultado de 2x1 obtido no Olimpico, para muitos, não era suficiente. Foi muito mais do que suficiente, com Casillas afobado, o ataque pouco produtivo e a Roma se aproveitando dos contra-ataques ficou fácil. Em menos de um mês o Real passou de favorito em todas as competições que disputava para preocpação total e medo até de eprder a Liga Espanhola.

Robinho, infelizmente, não concorrerá ao prêmio de melhor do mundo da FIFA este ano. Como todos sabemos a eleição dos três melhores é muito baseada sobre os jogos disputados na Champions League que se finaliza no ano da votação. Robinho ficou nas oitavas e novamente mostrou uma incapacidade de decidir nos momentos decisivos. Sumido, apagado, sem movimentação e sem buscar a bola, fico uquase impossívle de querer qualquer coisa. Se ele dizia no último ano que seria o melhor do mundo neste, terá que esperar mais um pouco. Assim como o Real esperará para voltar a vencer uma UCL.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Há Vida Pós Euro?

Gosto de discorrer sobre demissões e contratações de treinadores (isto pode-se perceber nos últimos posts deste blog). Não são eles que fazem espetáculo, driblam, marcam, dão show, mas na grande maioria das vezes sem eles, estes não passariam de malabaristas ou algo próximo. O anúncio desta segunda-feira se referiu a entrada de Bert Van Marwjik como treinador da Holanda após o final da Eurocopa, mesmo período que o mito Marco Van Basten sai da seleção Oranje para comandar o Ajax de Amsterdam num processo de reformulação que promete abalar e trazer novamente títulos à Amsterdam Arena.

A missão de Marwjik à frente dos holandeses é simples: classificá-los para a Copa de 2010 e conseguir uma posição digna do time que hoje Van Basten tem nas mãos. A contradição está exatamente no que Van Basten fez e no que Marwjik está fazendo.

O ex-atacante do Milan e do Ajax, atual treinador Oranje, fez um dos processos de reformulação mais fortes e apesar de ainda não poder ser considerado completamente bem sucedido em sua missão já que não conseguiu nada mais do que um punhado de boas partidas mas nada além das oitavas-de-final na última Copa do Mundo, Van Basten acabou com uma seleção viciada em Kluivert, nos aposentados irmãos de Boer e Overmars e trouxe à tona jogadores do porte de Sneijder, Van der Vaart e Babel, além de Huntelaar que constantemente é comparado com o próprio Marco.

O atual trabalho de Marwjik, no Feyenoord, parecia lindíssimo e revolucionário no papel. Para quem não sabe, o Feyenoord sempre foi o grande adversário do Ajax dentro do futebol holandês até hoje eles protagonizam o jogo que para a Holanda o chamado Klassieker, mas vinha de temporadas ridículas com revelações indo embora a custo baixo (Kalou,Kuyt,Drenthe) e sem títulos (não ganha a Eredivisie desde a temporada 1998-1999). A nova proposta era trazer alguns medalhões (Makaay, Van Bronckhorst, Hofland, Landzaat) com história no futebol holandês e levar a equipe as conquistas novamente. Por enquanto o trabalho não rende muitos frutos. O Feyenoord se encontra apenas em quarto colocado no campeonato holandês e nem de longe disputa o título com o PSV. Roy Makaay está na tábua de artilheiros com 13 gols, mas apenas a metade do artilheiro Klaas Jan Huntelaar, o comparável à Van Basten. Basicamente, o inverso do que fez Van Basten na Oranje fez Marwjik no van Zuid.

Historicamente não pode-se criticar completamente Van Marwjik, apesar de também não merecer nenhum tipo de elogio muito extenso. Teve boas campanhas com alguns times pequenos na Holanda, como o Fortuna Sittard que foi vice-campeão da Copa da Holanda em 98, e assim chegou ao Feyenoord na temporada de 2000-2001 sendo campeão da Copa da UEFA em 2002. No Dortmund chegou num das fases mais difíceis da história do clube do vale do Ruhr, mas nada fez sempre ficando em posições medianas na tabela. A atual campanha do Feyenoord é parecida com as das últimas temporadas, portanto, não pode-se indicar algum tipo de grande evolução, mesmo com um bom contingente de reforços.

Além de tudo isso não existiam muitos nomes para se trazer ao comando da KNVB. Louis van Gaal, um dos mais vitoriosos treinadores holandeses, já teve uma desastrosa participação quando não conseguiu levar a Holanda a Copa de 2002. Gullit está mais preoupado em ganhar sua grana no LA Galaxy e curtir as praias americanas de Los Angeles do que qualquer outra coisa. Outras opções como Ronald Koeman e Leo Benhaker estão empregados e sem grande confiança por parte da imprensa e da população holandesa para assumir a seleção. Ainda assim sobrava Guus Hiddink, este, sem dúvida alguma, um dos maiores treinadores vivos. Depois das duas históricas semifinais com Coréia do Sul, em 2002, e Holanda, em 1998, Hiddink não quis mais saber do futebol na seleção holandesa. Foi ocntratado pela Rússia e nem sequer pensou em cogitar sair do futebol frio de Moscou para ir para a Holanda, os motivos são os projetos que ele está desenvolvendo para levar a Rússia ao posto de média-grande força do futebol novamente.

Sem muitos nomes para contratar restou o também empregado Marwijk. Não foi a pior escolha mas sem dúvida alguma também não foi a melhor. O que se questiona é se ele conseguirá manter o processo de renovação e a política que Marco colocou dentro da Oranje. Van Basten não tinha nenhuma experiência como treinador mas conseguiu dar à Holanda e aos seus jogadores o que a muito tempo faltava: auto-confiança. Se Van Marwjik manter a mesma política o sucesso é parte integrante deste processo, mas se mudar...