quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

What a Hell Big Sam !


Não existe sustentação no cargo de treinador se não houver resultados. Essa é uma premissa seguida por vários clubes brasileiros e um submundo considerado dos países latinos. Essa história de demitir treinador no meio da temporada começa a atingir os clubes europeus, e dos grandes.

A última vítima foi Sam Allardyce. Com trabalhos anteriores notáveis pelo Bolton, Big Sam ficou conhecido como um treinador de bolas paradas, jogadas ensaiadas, porém de um futebol com toque de bola refinado e muito diferente daquele implantado na Inglaterra. Levou os Trotters - apelido do Bolton - a Copa da UEFA e chamou atenção até da Federação Inglesa para contratá-lo como treinador do English Team. Suas relações obscuras com compras e vendas de jogadores e apostas o afastaram do cargo de selecionador nacional mas não tirou a possibilidade dele treinar um dos mais tradicionais clubes do país, o Newcastle.

A tradição dos alvinegros está abalada há muitos anos pela falta de títulos e da falta de perspectiva de deixar a posição de clube mediano e voltar a brigar por competições continentais. Sam parecia ser o nome correto após ter levado o fraco e pequeno Bolton à Europa. Logo na sua chegada afastou e dispensou seis jogadores, entre os quais estavam Bernard - 6 anos de casa - e Bramble - 5 anos de St.James Park. Contratou Viduka e o promissor Smith, prometendo enfim dar padrão de jogo e chance para honrar a história dos Magpies. Não fez nenhum nem outro.

A equipe não se encaixava e Viduka, sua grande aposta não rendia o mesmo dos tempos de Middlesbrough. Owen continuava assombrado pelas contusões e Joey Barton mostrou os mesmo desvios de inteligência, e da falta dela, envolvendo-se em ocorrências policiais. Smith provou ser inconstante demais até para o Newcastle e os planos de reerguer ou de acordar um gigante adormecido naufragou. A gota da água foram nos dois jogos que sucederam o Natal.

Os encontros eram contra os predestinados a rebaixamento Derby County e Wigan. Duas apresentações pífias e apenas um ponto ganho em seis disputados. Empatar contra um time que não sabia o que era ganhar um mísero ponto a sete rodadas era quase um golpe de misericórdia para o emprego de Allardyce, mas esperando uma recuperação manteram-o no cargo e sofreram novo revés frente ao inofensivo ataque do Wigan. Resultado: Big Sam fora.

A decisão é incontestável a nível de resultado mas discutível se o que interessava era a implementação de um projeto, já que o contrato era de três anos. Ninguém poderia garantir o que Allardyce poderia fazer no comando do Newcastle caso continuasse mas a proposta clara de recuperação da 'honra' Magpie era clara.

O que resta agora ao ex-postulante a treinador da Inglaterra é esperar o próximo clube, que não deve demorar a chegar. O que resta ao Newcastle é torcer para que surja um craque, ou vários deles, nas suas categorias de base e que os áureos anos de 1900 voltem para que o clube enfim possa brigar, ao mínimo, pela ida a uma Copa da UEFA.

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