
A questão aqui é de ataque. Todos sabemos que Kaká é quase um Deus em Milão, pelo menos em sua parte rossonera, e que ostenta esse status com muita competência já que, praticamente sozinho, deu uma Champions League para o Milan. Mas não falarei de Kaká, mas sim de seus dois companheiros brasileiros que apesar dos lados opostos que se encontram hoje parecem ter trajetória parecida. Porém, um, contra tudo e contra todos é rei, e o outro ainda um projeto de príncipe.
Ronaldo andava desacreditado pelos lados da Lombardia. E não só lá, no Brasil quase ninguém mais acreditava que o jogador, gordo, cabeludo e desinteressado com o futebol iria para casa, jogaria no Flamengo uma ou duas temporadas e encerraria uma carreira de forma prematura. Infelizmente para seus críticos, Ronaldo provou ter muita lenha para queimar ainda.
Fez uma partida perfeita contra o Napoli no último domingo. Dois gols, sendo que um deles, da forma mais rara do goleador, um ato que não se vê todo dia: um gol de cabeça de Ronaldo. Se movimentou, parecia mais leve, menos lento, com vontade de jogar. Ronaldo pareci aquele garoto que começou no Cruzeiro com uma gana impressionante, com uma cabeleira maior e com vontade de provar ao mundo que seu futebol ainda não acabou. E conseguiu. Já começa a se falar com uma possível renovação de contrato com o Milan e faz relembrar seus bons tempos. De jogador contestado passou a quase unanimidade do ataque milanista. Claro, tinha Alexandre Pato ao seu lado.
A estréia de Pato foi tratada como um evento. No começo parecia além de nervoso, desconcentrado. Mas se não fosse o gol teria sido considerada uma catástrofe. Ele perdeu dois gols feitos, na verdade três já que teve duas chances de fazer um mesmo e não conseguiu. Mesmo assim se recuperou, fez um golaço num chutão pra frente de Favalli em que ele se livrou do marcados e mostrando porque é diferenciado apenas rolou por baixo das pernas do goleiro do Napoli. Pato não jogou apenas como um atacante fixo, não precisava já que tinha Ronaldo como o encarregado de fazer os gols, e sim como um meia-ofensivo que
deve tirar das costas de Kaká o peso de decidir os jogos rossoneros.
Avaliando friamente, Pato estreou bem, muito bem, mas não com tudo isso que se noticiou na imprensa. A euforia por um grande craque é sempre grande e quando se trata de um brasileiro , ainda mais jogando no Milan, toma-se proporções descomunais. Alexandre tem tudo para se tornar craque, dono absoluto da camisa 7 do Milan e da 9 na Seleção Brasileira e um dos melhores atacantes que esse mundo já viu, mas é cedo para concluir qualquer coisa. Ele é bom de estréias e provou isso com o Inter - estreou contra o Palmeiras no Parque Antártica, fazendo dois gols e no Mundial de Clubes fez aquela linda jogada logo no primeiro jogo.
Ancelotti sabendo gerir a pressão e a expectativa que se criará sobre o garoto poderá contar com um futuro rei. Ancelotti sabendo cuidar das necessidades, muito mais psicológicas do que físicas, de Ronaldo terá um ex-rei. Mas como diz o ditado popular: Quem é rei nunca perde a majestade.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
O Rei e O Príncipe
Postado por
João Lucas Garcia
às
13:10
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