quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Queda (In)esperada


Ottmar Hitzfeld assumiu o comando do Bayern de Munique em Fevereiro do ano passado com o objetivo de salvar o time de uma péssima campanha que vinha realizando na Bundesliga e de tentar, no mínimo, uma qualificação para a Liga dos Campeões. Naquela fase já havia sido disputado mais da metade do campeonatoi e Hitzfeld não foi considerado culpado pelo quarto lugar na Liga Alemã e nem pela não qualificação para a Champions League. A realidade é que no momento em que Magath saiu os bávaros ainda sustentavam uma terceira posição e continuavam na Champions League. Quando Hitzfeld chegou o Stuttgart ascendeu e o Bayern se foi da competição continental perdendo para o Real Madrid nas quartas-de-final.

Um novo trabalho se iniciou neste ano e o Bayern era dado como favorito absoluto para o título e não poderia ser diferente. Nenhum clube na Alemanha - e pouquíssimos no mundo - podem ter o privilégio de ter em seu meio-campo jogadores do nível de Ribéry, Schweinsteiger, Zé Roberto, Van Bommel e Altintop e no seu ataque Klose, Luca Toni e o subaproveitado Lukas Podolski. As expectativas se confirmaram nas primeiras rodadas, fazendo 10 gols nos três primeiros jogos e não sofrendo nenhum, mas com o tempo o Bayern, inexplicavelmente, foi perdendo força.

Primeiro foi um empate estranhíssimo contra o Hamburgo na 4ª rodada com um gol de Zidan no último minuto a favor do HSV e em seguida outro empate contra o Schalke 04. Até aí, nada de anormal já que eram, apesar da superioridade desmedida do Bayern, adversários diretos ao título. Isto já era 5ª rodada e os Roten já não eram mais unanimidade. As exibições de Ribéry impressionavam mas só o francês carregava o time com participações pouco efetivas dos outros membros da equipe. A situação pareceu se normalizar nos jogos seguintes. Uma sequência de cinco vitórias deu um alívio e a sensação de que a partir dali nada mudaria e o Bayern seguiria intacto rumo ao título. Engano. A mesma sequência de vitórias veio também uma de jogos sem vencer. 3 jogos sem vitória, entre eles um inexplicável empate contra o fraquíssimo Eintracht Frankfurt em casa e uma pesada derrota para o inconstante Stuttgart que se encontrava na parte de baixo da tabela e depois de destruir o Bayern no gottlieb-Daimler Stadion se acharam no campeonato.

Nada mais foi o mesmo depois disso. O Bayern não perdeu mais depois da 13ª rodada. Mas também venceu pouco. 2 vitórias e 2 empates. Nenhum tipo de desculpa é justificável para um empate contra o Duisburg e Hertha. Nem as confusões armadas por Oliver Kahn, nem as reclamações de muitos jogadores que não estão gostando de esquentar o banco (Sagnol, Podolski e Ismael, este último já decidiu a transferência para o Hannover em Janeiro) nem os atritos entre Hitzfeld e a direção. No fim do mês de Dezembro Uli Hoeness, um dos diretores do Bayern, garantiu a permanência do treinador até o fim de Junho. E ela se cumprirá, mas já foi anunciado pelo mesmo Hoeness que depois de Junho Hitzfeld não fica. “Vou fazer de tudo para ser bem-sucedido neste semestre e ganhar o máximo possível de títulos. Mas depois deixarei a equipe”, palavras de Ottmar ao site do clube.

Ao mesmo tempo que pode ser um alívio para certos jogadores, a demissão de Hitzfeld tende a desestabilziar um trabalho. Com carta branca e emprego praticamente garantido para depois que sair do Bayern - é especulado que ele já acertou com a Seleção Suíça para depois da Eurocopa - Hitzfeld que tem longa história no clube da Bavária pode fazer o que bem entender. Isso inclui barra certos jogadores como Van Bommel e Sagnol. A infelicidade de alguns é clara e inegável que Hitzfeld vem provocando a saída de qalguns jogadores, como Ismäel o primeiro a sair.

O objetivo da temporada é ganhar tudo que foi proposto e deixar para o próximo treinador um plantel motivado para a Liga dos Campeões do ano que vem. A Copa da Uefa já virou obrigação para o Bayern e caso não aconteça a conquista dela será uma mancha quase que irrecuperável para um dos times mais fortes que o FCB teve nos últimos anos. Na Bundesliga é impossível acreditar que não chegará o título. O Bayern tem qualidade técnica disparada sobre os outros, mas está empatado com um Werder claudicante e que joga na base da qualidade de Diego. Hamburgo e Leverkusen ainda podem ameaçar já que estão há apenas quatro e seis pontos, respectivamente, de diferença e o Schalke 04 vem um ponto atrás mas não parece ter forças para aguentar correr atrás desse Bayern por mais desarrumado que ele esteja. Ainda mais com a inconstância do Bayern.

Dispensa de treinador nomes pipocam. Van Basten é o mais cogitado. O treinador tem uma campanha mediana a frente da Oranje tendo levado-os a uma quartas-de-final de Eurocopa e oitavas-de-final da última Copa. A favor de Van Basten está o excelente trabalho de renovação que ele fez a frente da Seleção Holandesa. Trouxe novos nomes para o time como Babel, Maduro e Jaliens além de se preocupar muito mais com o conjunto do que com o individual. Contra o gênio holandês está seu poder de criar confusão com as estrelas, algo que realmente não é necessário agora no Bayern. Na Holanda ele afastou Van Nilsterooy e Van Bommel, sendo que o último declarou que não jogaria pela Seleção nacional enquanto Van Basten estivesse no comando. Detalhe: Van Bommel joga no Bayern. A 'segunda opção' é José Mourinho. O português já demonstrou ter experiência, qualidade e saber controlar egos, menos o seu. A única coisa que deseja é que, diferentemente do que aconteceu no Chelsea, a diretoria priorize contratações para todos os setores do time e não só para o ataque ou defesa. Pelo que se conehce de Beckenbauer, a preferência é Mourinho, o problema está na alta pedida do treinador português.

Com Mourinho ou Van Basten o Bayern tem um desafio enorme para controlar neste fim de temporada: contornar todos os problemas e levar um time que de completo favorito passou a total incógnita.

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