domingo, 19 de agosto de 2007

Uma Derrota, Várias Preocupações


A temporada Européia já começou em alguns países como França, Inglaterra e Alemanha, só para citar os mais famosos e com maior número de craques. Em alguns outros países, como na Espanha, a temporada só começa semana que vem e os torneios amistosos e a disputa da Supercopa são apenas aperitivos para o que ainda está por vir na região. A preocupação do Real Madrid, porém, já deve começar.


A Supercopa da Espanha reúne o campeão Espanhol - nesta temporada o Real Madrid - e o campeão da Copa do Rei - este ano o Sevilla. Por muitos considerada sem importância nenhuma, a Supercopa pode ser vista como um termômetro que mede a condição das contratações, o entrosamento do time e o que pode-se esperar das equipes vencedoras no ano anterior na temporada que se inicia. Caso o que aconteceu nestas duas partias deste torneio se confirmem, a situação em que encontra o Real Madrid é, no mínimo, delicada.

Derrotado no primeiro jogo por 2x0, um resultado que poderia até ser considerado normal pelas condições - jogo no Ramón Sanchez Pizjuán, primeiro jogo oficial na temporada, Sevilla empolgado, etc. -deixou os Merengues com a obrigação de vencer o segundo jogo em casa e por uma boa diferença de no mínimo dois. Na segunda partida poderiam ser vistas em campo as novas contratações holandesas: Drenthe e Sneijder. A chegada dos dois era a esperança de resolver os problemas crônicos da equipe, a falta de um meia ofensivo da posição e de um jogador polivalente, peça que falta há tempos ao Real.

O começo da segunda partida, por assim dizer, foi um desastre. Dentro de 40 minutos o placara já se via em 3x1 para o time de Sevilla e sem perspectiva nenhuma de melhora para o Madrid. A equipe rojiblanca dominava e numa grande exibição de Renato e Kanouté o primeiro tempo terminou ainda com minutos para Cannavaro diminuir para os Blancos. A vantagem de 3x2 colocava o Sevilla em situação extremamente confortável pois o Real precisaria de três gols nos 45 minutos restantes e a situação tática que a equipe se contrava era deplorável.

Na base do esforço e da raça o Real chegou ao empate aos 34 minutos do segundo tempo com um gol de cabeça de Sergio Ramos após falta cobrada por Sneijder. Daí pra frente, a vida do Real foi para o inferno. A equipe atacava tresloucadamente e sem nenhuma organização. Daniel Alves que não é bobo aproveitou o espaço dado pelo lado direito e três minutos depois do empate madridista estava cruzando para Kanoute marcar o seu segundo gol no jogo e acabar com qualquer tipo de esperança que existia dentro do coração dos torcedores no Santiago Bernabéu. Para piorar um pouco mais a já terrível situação em que se encontrava o time do Real, Pepe foi expulso e Kanoute selou a goleada épica e histórica, com um gosto de que poderia ter sido mais.

A sensação que fica, e não é só pelos dois jogos mas sim por todos os torneios amistosos que o Real Madrid disputou, é a de que a equipe voltou a estaca zero e que todo trabalho feito no último ano por Capello foi por água abaixo. A questão da renovação foi feita, no banco, na diretoria e no campo. A mentalidade, porém, parece continuar a mesma de anos atrás.

Bernd Schuster e seu estilo ofensivo de treinar futebol estam tentando se encaixar ao futebol exigente que a torcida espera, o maior problema está na forma como este esquema está postado. A defesa é muito boa, Pepe e Cannavaro são grandes zagueiros, mas a insegurança que eles passam é enorme. Os laterais sobem demais e só Diarra não consegue segurar ninguém no meio-campo. Às vezes, parece que o Real joga com sete no ataque e os três segurando a barra arás, um erro um tanto quanto desnecessário. No meio, Robinho não parece capaz de armar as jogadas sozinho e Sneijder ainda está se habituando ao clima de jogar no Real, questão de tempo, mas que precisa ser resolvida rapidamente. Van Nilsterooy e Raul são das preocupações a menor que o alemão deve ter, mesmo assim são necessários cuidados, pois não são mais garotos que estão no comando de ataque do Madrid.

Se a equipe não se encontra taticamente em campo, nem um bom futebol, indivudalmente falando, foi demonstrado neste começo de temporada. Saviola continua rendendo o mesmo dos tempos de Barcelona: nada; Robinho ainda não se encontrou em Madrid; e apesar do primeiro jogo, Sneijder não fez muita coisa a não ser cruzamentos na área. Drenthe é esforçado, mas a qualidade da última temporada pelo Feynoord ainda não mostrou.

A empolgação com o título da última Liga e a reformulação feita em boa parte do elenco podem ser um problema para um equipe ainda em formação e que precisará de um certo tempo para se ajeitar. Infelizmente para Schuster, não há tempo quando se trata de Real Madrid.

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