Gosto de discorrer sobre demissões e contratações de treinadores (isto pode-se perceber nos últimos posts deste blog). Não são eles que fazem espetáculo, driblam, marcam, dão show, mas na grande maioria das vezes sem eles, estes não passariam de malabaristas ou algo próximo. O anúncio desta segunda-feira se referiu a entrada de Bert Van Marwjik como treinador da Holanda após o final da Eurocopa, mesmo período que o mito Marco Van Basten sai da seleção Oranje para comandar o Ajax de Amsterdam num processo de reformulação que promete abalar e trazer novamente títulos à Amsterdam Arena.
A missão de Marwjik à frente dos holandeses é simples: classificá-los para a Copa de 2010 e conseguir uma posição digna do time que hoje Van Basten tem nas mãos. A contradição está exatamente no que Van Basten fez e no que Marwjik está fazendo.
O ex-atacante do Milan e do Ajax, atual treinador Oranje, fez um dos processos de reformulação mais fortes e apesar de ainda não poder ser considerado completamente bem sucedido em sua missão já que não conseguiu nada mais do que um punhado de boas partidas mas nada além das oitavas-de-final na última Copa do Mundo, Van Basten acabou com uma seleção viciada em Kluivert, nos aposentados irmãos de Boer e Overmars e trouxe à tona jogadores do porte de Sneijder, Van der Vaart e Babel, além de Huntelaar que constantemente é comparado com o próprio Marco.
O atual trabalho de Marwjik, no Feyenoord, parecia lindíssimo e revolucionário no papel. Para quem não sabe, o Feyenoord sempre foi o grande adversário do Ajax dentro do futebol holandês até hoje eles protagonizam o jogo que para a Holanda o chamado Klassieker, mas vinha de temporadas ridículas com revelações indo embora a custo baixo (Kalou,Kuyt,Drenthe) e sem títulos (não ganha a Eredivisie desde a temporada 1998-1999). A nova proposta era trazer alguns medalhões (Makaay, Van Bronckhorst, Hofland, Landzaat) com história no futebol holandês e levar a equipe as conquistas novamente. Por enquanto o trabalho não rende muitos frutos. O Feyenoord se encontra apenas em quarto colocado no campeonato holandês e nem de longe disputa o título com o PSV. Roy Makaay está na tábua de artilheiros com 13 gols, mas apenas a metade do artilheiro Klaas Jan Huntelaar, o comparável à Van Basten. Basicamente, o inverso do que fez Van Basten na Oranje fez Marwjik no van Zuid.
Historicamente não pode-se criticar completamente Van Marwjik, apesar de também não merecer nenhum tipo de elogio muito extenso. Teve boas campanhas com alguns times pequenos na Holanda, como o Fortuna Sittard que foi vice-campeão da Copa da Holanda em 98, e assim chegou ao Feyenoord na temporada de 2000-2001 sendo campeão da Copa da UEFA em 2002. No Dortmund chegou num das fases mais difíceis da história do clube do vale do Ruhr, mas nada fez sempre ficando em posições medianas na tabela. A atual campanha do Feyenoord é parecida com as das últimas temporadas, portanto, não pode-se indicar algum tipo de grande evolução, mesmo com um bom contingente de reforços.
Além de tudo isso não existiam muitos nomes para se trazer ao comando da KNVB. Louis van Gaal, um dos mais vitoriosos treinadores holandeses, já teve uma desastrosa participação quando não conseguiu levar a Holanda a Copa de 2002. Gullit está mais preoupado em ganhar sua grana no LA Galaxy e curtir as praias americanas de Los Angeles do que qualquer outra coisa. Outras opções como Ronald Koeman e Leo Benhaker estão empregados e sem grande confiança por parte da imprensa e da população holandesa para assumir a seleção. Ainda assim sobrava Guus Hiddink, este, sem dúvida alguma, um dos maiores treinadores vivos. Depois das duas históricas semifinais com Coréia do Sul, em 2002, e Holanda, em 1998, Hiddink não quis mais saber do futebol na seleção holandesa. Foi ocntratado pela Rússia e nem sequer pensou em cogitar sair do futebol frio de Moscou para ir para a Holanda, os motivos são os projetos que ele está desenvolvendo para levar a Rússia ao posto de média-grande força do futebol novamente.
Sem muitos nomes para contratar restou o também empregado Marwijk. Não foi a pior escolha mas sem dúvida alguma também não foi a melhor. O que se questiona é se ele conseguirá manter o processo de renovação e a política que Marco colocou dentro da Oranje. Van Basten não tinha nenhuma experiência como treinador mas conseguiu dar à Holanda e aos seus jogadores o que a muito tempo faltava: auto-confiança. Se Van Marwjik manter a mesma política o sucesso é parte integrante deste processo, mas se mudar...
segunda-feira, 3 de março de 2008
Há Vida Pós Euro?
Postado por
João Lucas Garcia
às
20:09
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