A situação delicada em que se encontra o Corinthians não é de hoje. Na verdade, este domingo só foi o capítulo final de uma novela que começou depois da derrota contra o River Plate em 2003 pela Libertadores da América. tudo mudou depois daquele dia. Veio uma parceria enganosa porém proveitosa, vieram craques de nome internacional para conter, como o ópio contenta o viciado, a torcida prometendo ser o maior time das Américas. O título veio, a ilusão se formou e a derrota, novamente para o River Plate, mas dessa vez dentro de um Pacaembu abarrotado e ensandecido, começou a deteriorar e formar a pior das crises que poderiam acontecer dentro de um clube de futebol. A partir daí a podridão em que estava afundado o Corinthians começou a ser descoberta e desde dinheiro para a compra de cuecas quanto "o presidente" dizendo que o título de 2005 foi "roubado" aconteceram nestes últimos meses. Este 2 de Dezembro apenas complementou o pior dos ano da história corinthiana.
A culpa não estav só nos jogadores. Do que adianta cobrar Edson, Aílton, Wilson, Bruno Octavio, Arce, entre outros que não tinham a mínima capacidade técnica para estar jogando em um clube como o Corinthians. A cobrança deve ser feita, e em demasia, em cima de Gustavo Nery, Roger e cia que com salários estratosféricos e uma vontade de minúscula de jogar futebol colaboraram para o Corinthians estar nesta situação. Obviamente que a culpa não foi só deles. Senhor Alberto Dualib, um idoso que estava no comando dessa instituição há mais de 15 anos fez um dos piores trabalhos na presidência de um clube de futebol que já foi visto em todos os tempos. Precisou de três parcerias - Banco Excel, Hicks Muse e a MSI - para manter o futebol e tirá-lo da lama, mas imediatamente uma após outra parceria colocá-lo dentro de eternas dívidas novamente, conquistou inúmeros títulos, mas perdeu quatro Libertadores com times superiores aos de seus adversários, contratou mal e quis se perpetuar como um ditador no Parque São Jorge, por questões políticas fez balbúrdia e não querendo ser apenas presidente ainda conseguiu a façanha de ser odiado por mais de 30 milhões de torcedores mesmo tendo ganho tudo que podia no comando do clube alvinegro. Uma prova a mais para a comprovação do quão ruim foi a administração Alberto Dualib no Corinthians.
Andrés Sanchez tentou revigorar o time em três meses e, é claro, não conseguiu. não me parece o pior nome para estar no comando do Corinthians como muitos diziam, mas precisará ter a cabeça fresca agora com a situação que o Timão terá que enfrentar jogando em semi-estádios, fazendo viagens longas, tendo menos dinheiro em caixa e menos participação dos lucros do Clube dos 13 e, se isso é possível, ter mais dificuldade em contratar bons jogadores. Nelsinho deve sair, fez um trabalho como todos os que comandaram o Corinthians esse ano: abaixo da média, tentando empatar e perdendo jogos em casa que não poderia perder, como contra o Vasco jogado na última quarta-feira.
O time em si não é dos piores. A zaga corinthiana, por mais criticada que seja é composta sim por nomes que se não são titulares em qualquer time do Brasil poderiam brigar por vaga na grande maioria deles, exceto talvez no São Paulo. Betão e Zelão não tem a mínima técnica, atributo que Fábio Ferreira tem, mas que as vezes falta ao jogador a raça proveniente dos outros dois, e tal raça que não foi suficiente para salvar o Corinthians poderia ter sido muito pior caso eles não estivessem em campo como na vitória contra o São Paulo ou contra o Figueirense. Os volantes corinthianos não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Ou marcam ou atacam, e isso é um grande problema. Ressalva feita a Moradei, todos padeceram de uma irregularidade enorme nesta temporada sendo Carlos Alberto uma decepção mas que pode ser recuperada para o próximo ano. As meias são ridícula,s junto com as laterais. Aílton, Héverton e quem mais quiser jogar naquela posição não pode continuar no Corinthians para o próximo ano, ali precisa ser feita uma reestruturação enorme já que desde que Willian saiu o Timão não consegue encontrar alguém para a posição. Os laterais são motivo de lástima. Os gols do Vasco na quarta-feira e do Grêmio ontem surgiram pelos dois lados. Pela lateral-direita para ser mais exato. Edson, Amaral, Iran, quem quer que seja, também não pode ficar para o ano que vem, a capacidade de marcação, nestes momentos, tem que ser maior que a vontade para subir ao ataque. E os dois gols sofridos nos dois últimos jogos que poderiam ter tirado o time da 2ª Divisão mostram isso.
Finazzi e Felipe. Um marcou mas não evitou o outro fez muito mais do que devia mas também não conseguiu salvar o Corinthians. Tenho dó de ambos. Finazzi pelas críticas desmedidas e até certo ponto não merecidas, Felipe pelo clube em que se encontra jogando com os jogadores que joga e ainda tendo a responsabilidade de ser o novo salvador, ou pelo menos tinha, e ídolo da Fiel. Finazzi fez o possível dentro de suas capacidades e teve um crescimento no seu rendimento nas últimas rodadas impressionante chegando aos 13 gols. Felipe vem jogando bem desde os tempos de Vitória. Passou por Portuguesa e com um Campeonato Paulista fenomenal chegou ao Corinthians em clima de desconfiança. Provou a todos a sua qualidade de goleiro de Seleção Brasileira e hoje carrega como mártir a cruz do rebaixamento corinthiano. Foi um dos únicos que pareciam afetados com este fato no Olímpico após o empate contra o Grêmio.
Finazzi não pode comparecer ao jogo pois numa decisão de puro jogo político promovido por Rubens Aprobatto Machado ele foi suspenso por dois jogos tirando dele a chance de jogar a partida decisiva contra o Grêmio. Ele, o mesmo que liberou o Maracanã para o São Paulo, Dodô para o Botafogo e inúmeros casos de favorecimento á clubes cariocas. Detalhe, ele é corinthiano e conselheiro do clube. Mas aqui não vem ao caso reclamar dele ou do pênalti que foi batido três vezes para ser validado no jogo Goias x Inter que deu a permanência na Série A ao time goiano. Aqui é preciso destacar a importância destes dois jogadores. Finazzi merece menção honrosa e marcará este time. Felipe deveria receber um busto em frente o Parque São Jorge como uma espécie de honra ao mérito, já que o jogador foi a grande razão para o Corinthians não ter caído antes.
A Série B vem aí. A tristeza que em mim aflige e tenho toda certeza que também bate no peito de todos os corinthianos e aqueles que não são anti-corinthianos é a de ver a torcida tendo que cair. A Fiel não merecia isso. Os administradores e alguma parcela de jogadores merecia. Ver a torcida corinthiana empurrar o time como empurrou na quarta-feira como incentivou contra o Vasco é algo proveniente apenas de mágica ou coisa parecida. 90 minutos apoiando algo que não merecia ser apoiado, mas mesmo assim, acima de todas as circunstâncias a torcida alvinegra promoveu um dos maiores espetáculos que se pode ter idéia dentro de um estádio de futebol. Cantar, apoiar, torcer, sofrer. Arrepiar-se. Estas vão ser algumas das vertentes que passará se for em algum jogo do Corinthians e se passar pelo menos 3 horas dentro do estádio, de preferência o Pacaembu, pois é lá que a Fiel é mais Fiel. Em nenhum momento houve vaias. Em nenhum momento houve reclamações, xingamentos, protestos ou invasões de campo. A torcida parece ter se conscientizado de sua importância e percebeu que de nada adiantaria isso. empurrou a todo momento. Pena que também não adiantou. Será triste ver este time jogando às terças e sextas-feiras a noite, será triste ver essa torcida se deslocando para locais que não terão condições de abrigá-la e será mais triste ainda ver o Corinthians jogando uma Segunda Divisão. Ninguém nunca vai sentir o que esta torcida sentiu hoje, pois foi diferente, este domingo 2 de dezembro de 2007. Um sentimento de melancólica misturada a uma raiva descomunal mas ao mesmo tempo a um amor incessante e que continuará no peito independente de resultados.
Independentemente de resultados esta torcida continuará apoiando seja do Oiapóque ao Chuí, seja da Austrália ao Zimbabue, seja desta galáxia até a imensidão do desconhecido universo. Esta torcida continuará ao lado deste time de qualquer foram, a qualquer tempo, em qualquer lugar e de qualquer jeito. Nestas horas que percebemos que o Corinthians é uma torcida que tem um time e não o contrário. É muito mais do que futebol, é uma religião.
Neste domingo, o Corinthians traiu os seus torcedores, como um amor platônico que trai, mas eles sabem, e talvez este seja o único alento neste momento de pura tristeza, que este será o único amor eterno em todas suas vidas.
Corinthians, nunca irão te abandonar.
*Foto: Jornal Lance!
domingo, 2 de dezembro de 2007
Fiel Até o Fim
Postado por
João Lucas Garcia
às
21:04
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Um comentário:
''A tristeza que em mim aflige e tenho toda certeza que também bate no peito de todos os corinthianos e aqueles que não são anti-corinthianos é a de ver a torcida tendo que cair.''
Agora já não sei se sou anti-corinthiana ou não. Porque a mais pura verdade é que eu fui silenciada pela tristeza da torcida.
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