
Dunga vem provando ter uma qualidade que não está presente aos melhores jogadores do mundo. É inerente a pouquíssimos profissionais e mesmo pessoas. Os grandes goleiros sempre são ditos como detentores dela e quando se conquista um título ela é sempre lembrada em certos momentos. Dunga vem mostrando ter uma sorte imensurável.
O treinador brasileiro teve sorte na desgraça de Lugano na semifinal da Copa América contra o Uruguai. O treinador brasileiro levou sorte no jogo contra a Colômbia. O treinador contou com ela a seu lado na vitória brasileira sobre o Equador, já que o time nada jogava e as vaias já começavam a surgir quando Robinho deu uma mãozinha á Dunga. O ex-volante teve muita sorte na noite inspirada de Luís Fabiano e Júlio César, ainda mais para se vangloriar depois da partida de que foi ele o responsável pela mudança no comando de ataque da Seleção, consequentemente o dono do resultado.
Efetivamente Dunga mexeu da forma mais adequada possível do jogo contra o Peru para o jogo no Morumbi. Tirou Vágner Love que não vem mostrando bom futebol nem para ser titular do CSKA, sendo Jô o principal artilheiro da equipe na temporada, e colocou LF em ascensão. Ele resolveu, ainda mais em sua casa. O problema de Dunga não é esse, mas sim como sua equipe e os jogadores talentosos não conseguem render em suas mãos.
Ronaldinho com Dunga no comando não fez sequer uma boa partida pela Seleção. Robinho quando fez não era o jogador habilidoso de Santos e, agora, Real Madrid, mas sim um jogador polivalente, marcador que ajudava o time, não o dono do time. Kaká, idem. O brasileiro é ávido por show e Dunga está tirando isso das mãos e do alcance do torcedor. Reclamávamos do tal Quarteto Fantástico que nada fez na Copa 2006, mas o Brasil não tem um time que toca bem a bola e ataca muito mais na empolgação do que na técnica. Kaká que poderia ser o ponto de desequilíbrio sumiu no Morumbi, o mesmo acontecendo com seus dois companheiros de meio-ataque. Quem resolveu? Por incrível que pareça, Josué. O volante do Wolfsburg deu coesão ao meio de campo no momento em que este se achava perdido e ditou o ritmo na marcação dos uruguaios.
A Seleção de Dunga tem uma defesa mais do que sólida e laterais que não sobem ao ataque de jeito nenhum. Gilberto quando sobe não consegue voltar e Maicon é um claro discípulo de Dunga, marcação, futebol força e de resultados, diferente do Maicon da Internazionale de ótimos cruzamentos. Os volantes foram nulos. Mineiro e Gilberto Silva não atravessam grande fase e se limitam a marcação pois quando tentavam algo no ataque o máximo que conseguiam era a perda da bola.
A classificação para a Copa-2010 virá com certeza já que não existem adversários que possam tirar o Brasil da África do Sul, mas é justamente por esta falta de adversários e o desempenho extremamente mais-ou-menos do Brasil preocupa. O que será desse Brasil quando enfrentar a, pasmem, ofensiva e forte Alemanha de Joachim Low, a Itália que sofre da mesma síndrome do Brasil com Roberto Donadoni no comando, a já recalcada Espanha, mas que agora tem
em Césc Fabregas a sua grande esperança ou a França do teimoso Domenech que mesmo com problemas defensivos tem o que falta na nossa Seleção, atacantes de alto nível. Sem contar a Argentina que veremos no Mineirão em Junho próximo.
Dunga precisará ter a sorte ao seu lado por mais dois anos ou perderá não só o cargo na Seleção como a chance de criar uma carreira no mundo dos treinadores.
domingo, 25 de novembro de 2007
A Cara do Treinador
Postado por
João Lucas Garcia
às
20:32
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