terça-feira, 19 de junho de 2007

Um Ano Que Faz Muita Diferença

No último dia 10 de Junho começou a ser disputado na Holanda o campeonato Europeu sub-21 de Seleções, na verdade, não é um campeonato sub-21, mas sim um campeonato sub-23 e que garante vaga para as Olimpíadas de Pequim que acontecerão ano que vem.

A variação de idade já é conhecida a muito tempo, mas este não é um grande problema para organizadores , treinadores e jogadores.A questão que fica é: porque um jogador com 23 anos hoje, disputa uma competição classificatória se não poderá estar na competição principal no próximo ano já que terá estourado o limite de idade.

Claro que não é só uma competição classificatória, é o campeonato Europeu sub-21(23) que lá vale muito mais do que qualquer competição de jovens da América do Sul, mas mesmo assim alguns casos intrigam.O principal deles é a Sérvia.Os sérvios têm uma equipe relativamente forte e as seleções do leste europeu normalmente tem tradição em Olimpíadas e os sérvios (sobre a bandeira da Iugoslávia) foram campeões olímpicos em Roma no ano de 1960 e subiram ao pódio outras quatro vezes, com três vice-campeonatos consecutivos, de 1948 à 1956 e um 3° lugar em 1984.

Pelo regulamento do torneio permitir a participação de jogadores até 23 anos, alguns não poderão jogar os Jogos Olímpicos, pois lá o limite é o mesmo, mas a citação da Sérvia não é em vão.Dos onze titulares que iniciaram a primeira partida deste Campeonato Europeu contra a Itália, apenas quatro teriam condições de jogar as Olimpíadas.Dos outros reservas, só 6 poderiam jogar, portanto, nem metade dos convocados para a Euro Sub-21/23 pela Sérvia poderão jogar a Olimpíada.

O caso da Sérvia é um, mas holandeses também tem o mesmo problema.Apenas a Bélgica tem uma Seleção muito jovem, dos quais apenas três jogadores titulares não terão condições de disputar os jogos Olímpicos.

A diferença de campeonatos é clara, mas a sensação que fica em alguns momentos é de uma certa injustiça com alguns jogadores que lutaram e conseguiram a vaga na principal competição para jovens no futebol Mundial e não poderão participar dela por terem nascido no ano "errado".

O Europeu sub-21 em si

A competição não terminou ainda, mas a análise que pode ser feita da primeira fase é a de que tivemos duas surpresas e bem (des)agradáveis.

Os portugueses com um jogo solto e bonito e os italianos com um meio-campo de botar medo em muita Seleção profissional não conseguiram sequer passar da primeira fase.

Os Lusos caíram no grupo da anfitriã Holanda e brigariam por uma vaga contra os belgas de Vanden Borre e Maartens, figuras a se destacar neste time da Bélgica pela sua juventude e ascensão sobre o time, e é claro, qualidade enorme.O fato é que os portugueses, mesmo com Nani, Manuel Fernandes, João Moutinho e Hugo Almeida não venceram os Royales, o que acabou fazendo grande diferença no fim e custando a disputa de uma repescagem para tentar vaga nos Jogos Olímpicos.

Repescagem essa que será disputada contra a Itália.Os Azzurrinis chegaram com um salto tamanho 14 para a disputa da competição e caíram do cavalo.A equipe credenciava-os como favoritos totais não só a classificação, mas também ao título.Um time respeitabilíssimo com nomes do porte de Chiellini, Criscito, Montolivo, Aquilani, Rosina, Pazzini e Giuseppe Rossi, para citar só os mais famosos, era esperado para dar show em terras dos Países Baixos mas o que se viu foi uma pane total.A derrota para os sérvios na primeira rodada complicou muito as chances italianas e com a mesma trajetória que Portugal, ficaram pelo caminho pela derrota sofrida para o primeiro em seu grupo.A sorte das duas Seleções é que os ingleses não disputam as Olimpíadas( só podem jogar como Grã-Bretanha) e agora um dos dois vai para a China por, digamos, sorte.

Ingleses e belgas que tem time para chegar longe em Pequim.Ingleses, que nas Olimpíadas poderão ser representados como Reino Unido, levam nomes de grandes clubes ingleses e boas promessas, como os zagueiros Ferdinand e Hoyte, os meias Reo-Coker, Milner e Noble e um ataque comandado por dois goleadores, Nuggent e Bentley.Eliminaram os italianos e disputarão as semifinais contra os donos da casa holandeses, jogo para lotar e tremer o Abe Lenstra Stadion em Heerenven.A Bélgica tem uma base melhor que a inglesa, mas que depende muito de Maartens para brilhar.O jogador do AZ só faltou fazer chover contra Portugal na fase classificatória mas não vai poder jogas as Olimpíadas, com isso Mirallas e Tom de Mul ficarão responsáveis na China pelos belgas na frente já que atras Vanden Borre, Vermaelen e Colpaerts são garantia de segurança.O jogo contra os sérvios será muito menos complicado do que Ingleses versus Holandeses, mas despenderá muito suor, principalmente se Maartens não estiver inspirado.

A Holanda cumpriu sua parte de anfitriã e atual campeã, no último torneio que revelou Huntelaar para o mundo, e passou em primeiro com autoridade.Os sérvios levaram certa vantagem por sua força física, mas não demonstraram muito futebol.República Tcheca e Israel foram fazer um tour pela Holanda, mas não conseguiram nada.A surpresa da eliminação tcheca é a sua famosíssima base, mas que neste ano não revelou nada; aproveitável mesmo só Papadoupoulos e Hasek já que o resto não é muito animador para o futuro.

Os playoffs ocorrerão nesta quarta-feira e poderão decidir o futuro de duas gerações para as Seleções principais.La Azzuri é mais forte que os Lusos e seria uma grande pena ver um dos melhores times sub-23 dos últimos tempos fora das Olimpíadas, mas Nani e Manuel Fernandes não ficam atrás de nenhuma das estrelas Italianas.

Será necessário não ver alguém na China, para poder ver outros.

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