domingo, 22 de abril de 2007

Um título "diferente"


Era esperado,era consolidado e era até de uma forma que a certeza de que ocorreria era certa, mas foi diferente.Depois de todos os imbróglios possíveis e imagináveis com o Calciocaos, a queda da Juventus, a retirada de pontos de Milan, Lázio, Fiorentina e Reggina e toda a confusão com os árbitros, a temporada tinha tudo para ser da Inter, do começo ao fim na Itália e
a previsão estava certa, porém a forma que tudo ocorreu foi diferente.

O time era desde o começo, o mais forte.Tinha o campeão mundial Materazzi, destaques como Stankovic,Cambiasso, Vieira, Figo, sem contar as chegadas de Ibrahimovic e Crespo que já dava a dimensão que além de um time fortíssimo a equipe também teria um banco forte, com possibilidades francas e claras de conquistas de títulos.Apesar de tudo isso e do título ganho no tribunal, os próprios tifosi nerazzuri exigiam a conquista do título como uma reafirmação, um título que não vinha desde 88/89 com o time que tinha Brehme, Mathäus e Klinsmann, numa época que só podiam jogar 3 estrangeiros, sem contar o comunitário e histórico Enzo Scifo, maior jogador da história da Bélgica.Uma geração inteira de torcedores da Inter não comemoravam um Scudetto, já se passavam quase 20 anos e nada de títulos, oportunidades e times fortes não faltaram.até um campeonato praticamente ganho, foi perdido na última rodada em 2002 o que resultou em seguidas gozações e apelidos, o mais como de o time mais amarelo da Itália.

A temporada foi dominada, os jogos passando e com o decorrer da Liga foi ficando claro que os adversários não teriam chance.Roma e Palermo até acompanharam, mas o time da capital Italiana não tinha banco nem regularidade para acompanhar os Interistas e o time da Sardenha perdeu Amauri no momento em que estava mais próximo, quando a coisa começou a desandar.A Inter foi se consolidando e construindo um recorde que até hoje, independente das punições aos clubes ou não, é difícil de acreditar e de se tirar os méritos, um recorde que dentro do Calcio durou até a última quarta-feira em um jogo que selaria uma campanha perfeita, mas que acabou não sendo perfeita sofrendo a derrota para a irregular Roma.Um recorde de 31 partidas na Liga que acabou se esfarelando, mas que não afetou em muito a equipe.Afetar foi uma palavra que não fez parte do vocabulário Nerazurri este ano, crises com Figo e Adriano, desclassificação na Liga dos Campeões com briga dentro do estádio do adversário e o fantasma da tal síndrome de amarelão rondando, mas como disse a palavra "afetar" não existiu.

Chegaram precisando de apenas uma vitória contra um time encardido em casa e que dificultou as coisas demais, mas que não suportou.As coisas tinham que ser dessa forma e foram.A temporada coroou alguns jogadores como o símbolo dessa equipe Marco Materazzi que sempre
criticado e considerado um zagueiro desleal, manhoso e anti desportista foi um dos retratos do que foi a Inter este ano, uma equipe mudada e diferente do que sempre foi.Devem-se considerações também a atuações de Stankovic que sempre foi um bom carregador de pianos, mas este ano se tornou maestro com exibições primorosas e gols que serão lembrados por muito tempo como aquele feito no clássico de Milão e o sempre multifuncional Zanetti que além de grande jogador, é a cara da Inter assim como Materazzi, cumpriu o que mandaram e foi um dos melhores na sua posição esse ano.

Ibrahimovic, Vieira, Crespo, o surpreendente Julio Cruz, Burdisso e até Maicon, que era uma aposta e no fim jogou uma bela temporada, também foram peças fundamentais.A equipe superou uma temporada em que tudo tinha que dar certo e deu.Ano que vem as coisas prometem ser um pouco mais difíceis, mas mesmo assim a Inter acredita em seu potencial.Não devem ocorrer muitas saídas, a mais significativa, do Figo, todos já sabiam a no mínimo 4 meses.

Exaltemos também Roberto Mancini, um técnico que as vezes inventa demais, que era o rei de Copas e o zero de Ligas na Itália e que tinha pela frente um ano de obrigação de vitórias em que conseguiu domar um grupo como este e levou a Inter ao seu objetivo principal, com louvor e méritos indiscutíveis, um técnico que apesar de tudo mostrou potencial e que ainda pode levar esse time da Inter a muitas conquistas.

Ficam dúvidas sobre alguns jogadores, Adriano foi a incógnita do ano e não passou a impressão de compromisso, tendo sua imagem arranhada e duvidada da torcida da Internazionale; deve continuar mas com a cabeça a prêmio a qualquer momento, assim como Grosso que veio com toda pompa de campeão do mundo e um dos heróis da campanha e teve desempenho pífio pela Inter.Samuel, outro indefinido, pode ser usado como moeda de troca na janela de negociações do verão Europeu.

A equipe cumpriu seu papel e Fachetti no céu deve estar muito feliz, assim como toda uma geração de jovens que nunca tinham sentido tal sentimento tão difícil de descrever que as vezes só o futebol nos faz sentir.

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