
Este texto não é uma análise calculista do que aconteceu ontem em Silverstone na Inglaterra. E nem me permitiria dizer isso já que apenas amo Fórmula 1, mas não posso dizer que conheço à fundo. Mas era necessário que fizesse um comentário aqui sobre a corrida, mas especificamente sobre Barrichello.
Sábados e domingos de F1 para mim sempre foram sagrados. Mesmo eu nunca ter visto uma só corrida de Ayrton Senna, nem Nelson Piquet e muito menos Emerson Fittipaldi. Cresci vendo Schumacher e Hakkinen degladiando por vitórias, pódios e títulos. Normalmente o finlandês vencia e Schumacher, o maior de todos os tempos, não conseguia dar fim ao jejum que assolava a Ferrari. Mas gostava mesmo, além das batalhas no fim dos anos 90 entre o ferrarista e o piloto da McLaren, era de ver Rubinho guiando a Stewart. Ao lado de Johnny Herbert, outro daqueles gênios escondidos e que não serão muito lembrados, Barrichello fazia mágica com um carro limitadíssimo e conquistava pódios esporádicos em um tempo que vivia à sombra de Senna. Nunca esquecerei o GP de Magny-Cours quando chegou na terceira colocação e, com a mesma Stewart, devolveu uma ultrapassagem das mais antológicas que Michael Schumacher sofreu em toda sua carreira. http://www.youtube.com/watch?v=vLR8L_QEPrk
Até que surgiu a grande chance.
A Ferrari contratava um prodígio Rubens que era a grande esperança de um Brasil sem ídolos no automobilismo. O futuro parecia brilhante já que na melhor equipe da Fórmula 1 com o melhor carro os títulos poderiam voltar ao país e o hino brasileiro seria executado nas manhãs dominicais. Mas no meio do caminho havia aquele Schumacher. O que levou a Ferrari a um pentacampeonato e dominou por completo o início dos anos 2000, frustrando os planos brasileiros de voltar ao topo da cadeia da velocidade mundial. Rubens se desentendeu, sofreu, deu passagem ao alemão em um dos episódios mais vergonhosos da história da F1 no circuito de A1 Ring na Áustria. Até que ele se livrou do estigma de segundo piloto, estepe, reserva de luxo ferrarista indo terminar de forma melancólica e doída numa Honda descrente. Passou seus primeiros anos na scuderia japonesa penando a fazer pontos, pensou largar a F1 e teve de se acostumar de vez com as críticas dos desocupados de plantão.
Ontem, porém, ele deu mais uma das provas de que é um dos melhores pilotos, ainda, em atividade na Fórmula 1. Competente, agressivo mas sem perder a cabeça, estrategista. Rubens dominou por completo uma corrida que não tinha nada para ser das melhores de sua extensa carreira como piloto. Lembrou a sua primeira vitória de F1, no circuito de Hockenheimring. A mesma chuva pesada caía, o mesmo estrategista no banco de sua equipe estava e, mais uma vez em sua vida, Barrichello pôde ser definido por uma palavra: genial. Guiou sua capenga Honda como se estivesse dirigindo a Ferrari nos bons tempos ou a Stewart em que ele fazia os mesmo milagres que ontem fez com sua Honda. Ultrapassou, por dentro e por fora, acertou na estratégia, não errou durante toda prova, basicamente, deu show. Levou com maestria um carro péssimo a um pódio nunca antes sequer sonhado e voltou a sorrir como das primeiras vezes, sentindo-se um moleque no meio de um orgulhoso Hamilton e um feliz Heidfeld.
Reconhecimento que não vem pela imprensa brasileira em geral. Reconhecimento que demora a surgir por aqueles que mais deveriam reconhecê-lo. Rubens é daqueles tipos que faz de sua profissão sua vida e isto é perceptível até aos mais desatentos. Há anos Rubinho não guia em, condições de conseguir vitórias ou de brigar pelo título, mas continua lá, brigando contra os humoristas e os engraçadões. Ele mereceu este terceiro lugar, merece toda aquela emoção a ele dedicada quando chega á um pódio ou mesmo quando vencia corridas. Baricchello me faz gostar de ver Fórmula 1 e me passa muito mais emoção do que qualquer outro piloto. Não que não goste de Felipe Massa, mas ele não é um herói e nunca será um para mim. Rubinho sim, mesmo nunca vencido um campeonato, mesmo sendo uma sombra de dois gênios por toda sua carreira. Ele mostra um espírito de equipe e companheirismo que me fazem acreditar e sonhar que para ser um grande homem não precisa ser, literalmente, um campeão.
Rubens Barrichello é o melhor daqueles que nunca puderam mostrar que são os melhores e continuará sendo um dos motivos de acordar cedo nos meus fins de semana só para torcer para chegar aos pontos, brigar por uma oitava posição ou coisa do gênero. Pois a emoção e a vivacidade deste senhor são tão ricas quanto a de um garoto. Ele não precisa provar mais nada à ninguém. Depois de ontem, pode se aposentar sossegado Rubens, você entra no hall dos melhores pilotos que este país já teve.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Testemunhal de Um Brasileiro
Postado por
João Lucas Garcia
às
10:23
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