sábado, 26 de abril de 2008

A Hora É Agora


Chegou o ápice do Campeonato Inglês. No duelo deste sábado de manhãzinha por aqui, cerca de meio-dia lá, Chelsea e Manchester United decidiram se o título vai para Old Trafford ou se os Blues ainda podem sonhar com a possibilidade de uma nova conquista em âmbito nacional. E se existia um momento para esse jogo acontecer, sem dúvida alguma, o momento é este.

O Chelsea vem empolgado pelo jogo do meio de semana na Champions League. Freguês histórico do Liverpool quando tratamos de competições européias, os Blues conseguiram um empate em 1x1 dentro de Anfield Road no último minuto de jogo, mesmo com Ballack e Lampard em noite apagadíssima, e agora jogaram por uma vitória simples ou por um empate sem gols em casa na próxima semana. Um ânimo a mais para um time que tende a abaixar a cabeça em momento
s complicados e que sempre sofreu com a falta de uma estrutura psicológica, principalmente na gestão de José Mourinho no comando.

Do outro lado vem o United que também empatou fora de casa, mas em circunstâncias muito diferentes. Cristiano Ronaldo perdeu pênalti, a equipe não jogou bem e no último fim de semana já haviam empatado com o Blackburn com um gol no último minuto de Tevez.
A situação, graças ao gol do argentino, se manteve em três pontos de diferença e como os Devils tem um saldo muito superior ao Chelsea (54 contra 36) mesmo que perca hoje não será ultrapassado e dependerá apenas de suas próprias pernas para ser campeão da Premiership. O que Ferguson precisa fazer agora é manter a cabeça do time dentro de campo.

Muito foi questionado se o Manchester teria condições de chegar e vencer tudo que disputassem. A dúvida estava se conseguiriam com um trio de ataque extremamente jovem
manter a mesma regularidade que se tivessem jogadores de maior experiência. Neste caso, a juventude foi soberana. Ronaldo, Rooney e Tevez vem fazendo uma temporada irretocável. São de forma absoluta o melhor trio de atacantes de toda a Europa e não sentiram o peso da camisa durante toda esta temporada, pelo menos até aqui. CR não costuma perder pênaltis e na quarta-feira errou sobre uma situação de extrema pressão. A equipe do Manchester foi estática frente ao Barcelona e não consgeuia criar absolutamente nada. Este é o medo, uma amarelada completa na fase final das duas competições.

O Chelsea fez uma temporada sobre olhares desconfiados de todo o mundo. Avram Grant nunca foi o nome mais esperado para dirigir o time de Stanford Bridge e após um início pífio, em que ocorreu até a fatídica derrota para o Rosenborg dentro de casa, o Chelsea se recuperou e isto tem muito a ver com três jogadores: Essien, Drogba e Ballack. O primeiro é, de longe, o pilar de sustentação deste time. Foi ele quem fez o gol que eliminou o Schalke 04 na Champions League e é sempre ele que está marcando forte na defesa. É um jogador multi-funcional e que se encaixa em qualquer lugar na equipe titular. Drogba nunca foi admitido com um grande atacante pois é forte, grande e habilidade não é uma de suas características principais, mas o seu poder de fogo anula todos e quaisquer defeitos que o marfinense possa ter. Nesta temporada, porém, o que se destacou foi sua capacidade de, além de fazer gols, ser um grande garçom. Deu passes para o time inteiro e mesmo ficando um bom tempo machucado teve contribuição imensurável para a recuperação do Chelsea na UCL e na Premier League. O caso mais curioso, entretanto, é o de Ballack.

O alemão veio com a promessa de ser um companheiro à altura para Lampard ou até mais, colocar o inglês no banco. Não conseguiu nem um nem outro no começo das ligas. Escondia-se, tinha inúmeros problemas com contusões e ficava a deriva de uma grande atuação do time para ele poder ir no embalo. De uns tempos para cá, com a mudança de esquema tático que o aproximou muito mais do ataque, o obrigando a ser quase um terceiro atacante e não mais um meio central, melhorou muito seu rendimento e enfim ele pôde jogar o futebol esperado. Imagine se Shevchenko tivesse encaixado nesta equipe ...

Uma vitória do Chelsea não surpreenderia, já que o jogo é em Stanford Bridge, mas uma vitória Blue podeia trazer estragos gigantescos dentro de Old Trafford. Faltando apenas 3 rodadas para o fim do campeonato, o momento é de decisão, e parece que a capacidade técnica parece não contar tanto quanto a capacidade de gerir a pressão que será imposta à ambos, mas que o Manchester Utd sofrerá mais.

Foto: Skysports

Nenhum comentário: