domingo, 10 de fevereiro de 2008

Leis e Interpretações


O clima não era tranqüilo, nunca foi. Leão não se dá bem com clássico, e muito menos com arbitragem. É como água e óleo, algo imiscível. Muricy também vem se tornando tão bom quanto Leão em questão de reclamações. Não está devendo em nada ao treinador do Santos quando a questão é espinafrar com árbitros e suas respectivas atitudes, muito disso também apoiado pela sua diretoria que deu ultimamente para, de forma totalmente desprezível, questionar toda e qualquer atitude dos apitadores de futebol. O mesmo caso se encaixa com o Santos que já pediu até anti-doping para o juíz.

Não posso discutir o baita jogo que foi aqui porque seria até desinteressante. Resumidamente: o São Paulo dominou completamente o primeiro tempo e não mereceu sair de campo com um empate. O gol logo no começo do segunto tempo provou isso e o Santos se soltou. Leão começou a dar, por incrível que isso pareça, a dar um nó tático em Muricy, saindo nos contra-ataques e não permitindo a subida dos laterais tricolores. Aí onde Leão deveria ter ganho o jogo. Não ganhou porque Kleber Pereira foi incompetente e porque o São Paulo levou sorte, muita sorte. Achou um gol com Carlos Alberto.

O que realmente interessa, porém, foram as polêmica,s mas vamos nos ater a três delas. A primeira e mais importante é o pênalti que segundo os principais comentaristas santistas da mídia, como José Kalil e Milton Neves, foi escandaloso, absurdo e claro; enquanto para a parcela "neutra" nada aconteceu. Analisando o lance somente com os olhos foi pênalti sim. Miranda impede a passagem da bola que iria para o gol depois de um lance em que Kleber Pereira teve a pachorra de perder o gol feito, depois de ter perdido mais uma outra vez em lance anterior, mas o que não justificava o zagueiro do são Paulo ter colocado a mão na bola ou ela ter tocado em seu braço impedindo o prosseguimento de sua trajetória. Aí vem a maldita lei da interpretação.

Para uns Miranda estava "deitado" no chão, ou melhor, caído, e não existia a mínima possibilidade de se levantar o que resulta na conclusão de que não houve a intenção de colocar a mão na bola e conseqüentemente não existiu o pênalti. Por outro ponto de vista pode considerar que Miranda estava naquela posição e caso ali não estivesse o Santos teria feito o gol, ou no mínimo conseguido uma melhor chance de finalização. Agora, como avaliar o que teria acontecido se Miranda estivesse sentado, em pé, deitado, de barriga para baixo, não sei.

É por isso que sou completamente contra a tal lei da interpretação. O que é mão é mão e ponto, se ali não estivesse teria uma outra ação no jogo e uma mudança na trajetória de toda a jogada. Não estou aqui dizendo que todos devem amputar os braços para jogar futebol, mas que se ele é um membro que não pode ser usado, então que não possa ser usado mesmo. Nesta jogada, por exemplo, ele impediu o prosseguimento do lance. A FIFA precisa mexer seriamente nesta regra pois enquanto não se estipular o que é certo e o que é errado toda atitude será passível de falha já que estamos lidando com humanos que como já diria um certo preceito, se não falhassem seriam robôs.

Mais importante que esse lance ou talvez em proporção tão grave o quanto foi a expulsão de Tabata, novamente na tal regra da interpretação. Uma pancada vale menos do que um xingamento? O jogador santista sofreu falta clara não marcada pelo árbitro Antônio Rogério Batista do Prado e na seqüência do lance reclamou, xingou e esbravejou. A honra do árbitro é mais importante do que uma agressão, por exemplo, que Adriano fez no começo do jogo ou de um carrinho violentíssimo de Marcinho em Richarlyson no segundo tempo? A inversão de valores que está ocorrendo no futebol é algo preocupante e que precisa ser pensado e resolvido rapidamente.

O destempero de Adriano depois do lance com Domingos merecia expulsão, mas não só para o jogador do São Paulo. domingos também ficou cabeça à cabeça e também empurrou. Foi a tal lei da compensação. Acabara de expulsar um santista, equilibrarei as contas e expulsarei um são-paulino. No final de tudo, ambos os treinadores se provocaram mas nenhum dos dois abertamente criticou muito a arbitragem.

O que não pode ocorrer, é ver o chefe da comissão de árbitros, Coronel Marinho e disser que foi tudo bem que a atuação foi ótima e que não tivemos problemas. Este, com certeza, assistiu outro jogo. Os treinadores têm que se esforçar durante a semana para escalar o melhor que tem para os jogos e para os clássicos este nível de exigência cresce ainda mais. O mesmo deveria acontecer com a Federação no caso dos árbitros que deveriam colocar os melhores, sempre, sem testes como este.

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